Pesquisas sobre caso Epstein caem 95% desde o início dos ataques dos EUA e Israel contra o Irão
A
procura de informação sobre o conflito abafou as pesquisas sobre o caso
Epstein, apesar de o Departamento de Justiça dos
Estados Unidos continuar a divulgar novos dados
Numa altura em que os ataques dos Estados Unidos e de Israel
contra o Irão dominam a atenção pública, as pesquisas sobre o caso Epstein
caíram 95% desde o início das operações militares, de acordo com o Google
Trends. Os dados mostram um pico imediatamente antes da intensificação do
conflito, sucedendo-se uma queda a pique.
A guerra no Irão teve início a 28 de fevereiro e, desde então, palavras-chave relacionadas com o conflito tiveram um aumento exponencial de pesquisas de 1200%. A discussão em torno do golfo Pérsico abafou o debate sobre descobertas nos documentos do caso Epstein, que foram divulgadas nas semanas anteriores.
A vermelho surgem as pesquisas relacionadas com o Irão. A
azul, as pesquisas relacionadas com o caso Epstein
O envolvimento do presidente dos Estados Unidos, Donald
Trump, no caso Epstein continua a gerar polémica. O seu nome aparece várias
vezes nos documentos, que indicam que Trump terá
viajado para a ilha de Epstein pelo menos oito vezes. Há também
emails que revelam que Trump sabia mais sobre os abusos sexuais do que admitiu.
“O cão que não ladrou é Trump (...) [uma vítima não identificada] passou horas
na minha casa com ele, e nunca foi mencionado”, terá escrito Epstein.
Trump nega quaisquer ligações ao caso. Mas está em curso uma
investigação para apurar se estão a ser ocultados documentos que incluem o nome
do presidente.
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ, na sigla
em inglês) continua a revelar informação sobre os documentos. São milhões de
ficheiros, que incluem imagens, emails e mensagens relativas à rede de tráfico
e abuso sexual de menores liderada por Jeffrey Epstein durante mais de 20 anos.
A divulgação começou em dezembro e, desde então, provocou repercussões a nível
mundial, por estarem envolvidos nomes de altas figuras de poder.
Na semana passada, o DOJ publicou três entrevistas feitas
pelo FBI a uma mulher que acusa Trump e Epstein de a agredirem física e
sexualmente. Segundo o relato, à data dos abusos (anos 1980), a vítima tinha
entre 13 e 15 anos.
Epstein foi condenado por crimes sexuais em 2019 e
suicidou-se na cela antes de ser julgado. A companheira de Epstein, Ghislaine
Maxwell, que era cúmplice dos crimes, foi condenada a 20 anos de prisão. No ano
passado, tentou que a sua pena fosse reduzida, mas o Supremo Tribunal dos
Estados Unidos rejeitou o recurso.
O caso continua a dar que falar porque há milhões de
ficheiros por analisar e outros ainda que não são conhecidos pelo grande
público. A informação que já se conhece revela uma teia de figuras públicas
alegadamente envolvidas. Alguns exemplos são Bill Clinton, antigo presidente
dos Estados Unidos, Steve Bannon, ex-assessor político de Trump, Mette-Marit,
princesa herdeira da Noruega, Jack Lang, antigo ministro da Cultura e da
Educação francês, ou Peter Mandelson, ex-embaixador britânico nos Estados
Unidos.
Em fevereiro, André Mountbatten-Windsor – filho da falecida
rainha Isabel II e irmão do atual chefe de Estado do Reino Unido, Carlos III –
foi detido pela polícia do Vale do Tamisa por suspeitas de irregularidades
enquanto titular de um cargo público. Em causa está a divulgação de informação
sigilosa a Epstein. Foi libertado no mesmo dia, mas continua sob investigação.


Comentários
Enviar um comentário