Polícia britânica entrevistou Giuffre, mas não investigou
Streets of
Fire (1984) – The Blasters, Marine Jahan
Ao
longo da última década a polícia britânica decidiu repetidamente não investigar
as alegações de que Jeffrey Epstein teria traficado e forçado Virginia Giuffre
a ter relações com Andrew Mountbatten-Windsor, conhecido como príncipe André
até lhe terem sido retirados os títulos
De acordo com o jornal The New York Times, já em
2015, Virginia Giuffre acusou Epstein e a sua cúmplice Ghislaine Maxwell de a
terem levado para Londres em 2001, de avião, e de a terem obrigado a ter
relações sexuais com Mountbatten-Windsor, na casa da própria Maxwell. Mas não
foi a única vez que houve a possibilidade de investigar o caso.
Ao jornal norte-americano as autoridades do Reino Unido
confirmaram que entrevistaram Giuffre em três ocasiões diferentes (uma em 2015
e duas em 2016), mas decidiram sempre não avançar com uma investigação. O mesmo
aconteceu com comunicações contra Ghislaine Maxwell.
Num momento em que a divulgação dos ficheiros de Jeffrey
Epstein, por parte do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, tem gerado
polémica a nível mundial, até pelo envolvimento de figuras públicas, a falta de
ação da polícia britânica torna-se mais relevante, até porque foram detidos
embaixador no Reino Unido nos Estados Unidos, Peter Mandelson, e Andrew
Mountbatten-Windsor.
Uma carta enviada por Paul G. Cassell, advogado que então
representava Giuffre, à polícia britânica a 4 de maio de 2015 está entre os
documentos divulgados em janeiro, e contava o que a mulher havia denunciado
sobre a viagem para Londres e também que teria sofrido dois anos de abusos
sexuais por parte do casal Epstein e Maxwell, onde foi “preparada” para atos
sexuais com amigos poderosos.
Nessa mesma carta havia uma fotografia do príncipe André com
o braço à volta da cintura de Giuffre, na altura com 17 anos, enquanto Maxwell
sorria ao lado. O advogado recorda que havia uma tentativa de responsabilizar
Epstein após um acordo judicial em 2008 que permitiu uma pena curta.
Procurava-se uma “nova oportunidade” para as alegações e provas fotográficas de
Virginia Giuffre.
A polícia acabou por entrevistar Giuffre e, em comunicado,
após três conversas, esclareceu que “não foi feita qualquer acusação de conduta
criminosa contra qualquer indivíduo baseado no Reino Unido”. Foi dada a
justificação de que a mulher afirmou ter sido “vítima de um crime internacional
de tráfico sexual”.
A polícia britânica explicou que pediu aconselhamento a
procuradores e manteve contacto com as autoridades dos EUA, que estavam a
liderar as investigações.
“Após esse aconselhamento jurídico, ficou claro que qualquer
investigação sobre tráfico humano se concentraria sobretudo em atividades fora
do Reino Unido e em autores baseados no estrangeiro, pelo que as autoridades
internacionais estavam melhor posicionadas para avançar com estas alegações”,
afirma o comunicado citado pelo jornal norte-americano, que serve “a decisão de
não prosseguir com uma investigação criminal completa”.
Anos mais tarde, a polícia revelou que estava a analisar
documentos que mostram que aeroportos de Londres “podem ter sido usados para
facilitar o tráfico humano e a exploração sexual” por Epstein.
Fonte: Observador, 11 de março de 2026

Comentários
Enviar um comentário