Quem é Luís Brites Lameiras, o juiz que André Ventura quer indicar para o Tribunal Constitucional?
Perry Mason
(1957-1966) – Lisa Gaye
Juiz
desembargador da Relação de Lisboa é visto pelos seus colegas como alguém
"moderado" e "equilibrado", do centro político e que
poderia ter sido indicado pelo PSD para o Tribunal Constitucional
André Ventura voltou a marcar a agenda mediática, neste
sábado, com a revelação do nome do juiz que quer indicar para o Tribunal
Constitucional (TC): Luís Filipe Brites Lameiras. Um dia depois de o PS ter
ameaçado romper qualquer acordo político estrutural com o PSD, nomeadamente a
viabilização dos orçamentos de Estado, o líder do Chega está a marcar a agenda
com o ‘seu’ candidato a ocupar uma das três vagas disponíveis no Palácio
Ratton.
Numa descrição sumária, trata-se de um juiz de carreira que
também apostou no ensino universitário, especialista em Direito Civil, católico e descrito pelos seus colegas magistrados como
alguém “moderado” e “equilibrado”. Uma das fontes judiciais
contactadas pelo Observador diz mesmo que, tendo em conta o que conhece
dele, “poderia ter sido indicado pelo PSD. Não tem nada a ver com o perfil que
associamos ao Chega.”
Mas, afinal, quem é Luís Fillipe Brites Lameiras?
Juiz de carreira que também apostou no ensino
universitário
É um lisboeta com 62 anos, nascido a 12 de janeiro de 1964,
mas com raízes familiares em Pampilhosa da Serra, concelho do distrito de
Coimbra. Licenciou-se na Faculdade de Direito de Lisboa em 1987, tendo entrado
no ano seguinte para o Centro de Estudos Judiciários.
Ingressou na magistratura judicial em 1990, tendo feito o
seu estágio na comarca de Oeiras. Como efetivo, a sua primeira comarca foi
Mação, terra do também juiz desembargador Carlos Alexandre, tendo passado por
várias comarcas pequenas generalistas — como é normal nos primeiros anos de
formação da magistratura judicial — até ser colocado como efetivo no Tribunal
Cível de Lisboa.
Apostou desde cedo na formação e no ensino universitário.
Começou por ser formador do Centro de Estudos Judiciários nas áreas do processo
civil e comercial — onde chegou a ser formador em exclusividade. Ao mesmo
tempo, também iniciou uma carreira de professor universitário, na Universidade
Católica Portuguesa, tendo posteriormente transitado para Universidade Nova de
Lisboa. Tem obra científica de referência publicada sobre o processo civil e
costuma ser regularmente citado pelos seus colegas.
Foi promovido a juiz desembargador em 2010, tendo sido
colocado nas secções cíveis da Relação de Lisboa, sendo transferido para a
Relação do Porto em 2013.
A colaboração próxima com Henriques Gaspar e a
importância da Pampilhosa da Serra
Foi chefe de gabinete do conselheiro Henriques Gaspar,
presidente do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) entre 2013 e 2018. Brites
Lameiras acompanhou os dois mandatos do homem que sucedeu a Noronha de
Nascimento e ainda fez a transição para o gabinete de Joaquim Piçarra, que
sucedeu a Henriques Gaspar.
O facto de ter trabalhado de forma próxima com Henriques
Gaspar, o líder do STJ mais centrista dos últimos 30 anos, reforça claramente a
imagem de Luís Brites Lameiras como um magistrado moderado e equilibrado.
A ligação a Henriques Gaspar tem uma particularidade. O
ex-líder do STJ nasceu em Pampilhosa da Serra, vila do distrito de Coimbra,
onde Brites Lameiras também tem raízes familiares. Os dois fizeram parte da
Associação de Juristas de Pampilhosa da Serra, sendo que, numa publicação no
Facebook que alude ao 16.º aniversário da associação, Gaspar e Lameiras
aparecem como fundadores.
Após a sua comissão de serviço no STJ, Brites Lameiras foi
colocado como inspetor judicial do Conselho Superior da Magistratura, ao mesmo
tempo que continuava em dar aulas na Universidade Nova de Lisboa. Em 2025, o
agora candidato a juiz conselheiro do Tribunal Constitucional optou por
regressar à Relação de Lisboa, onde hoje é presidente da 7.ª Secção Cível.
Do ponto de vista político, Brites Lameiras não tem ligação
ou proximidade ao Chega. Descrito pelos seus colegas juízes como alguém
“equilibrado” e “moderado”, é posicionado ao centro. Uma das fontes contactadas
pelo nosso jornal, com um posicionamento próximo do PSD, diz mesmo que Brites
Lameiras “poderia perfeitamente ter sido indicado pelo PSD para juiz do TC”.
Qual é o seu pensamento ideológico, nomeadamente sobre
questões fraturantes, como a interrupção voluntária da gravidez, a eutanásia ou
a igualdade de género? Não se conhecem obras ou artigos de opinião que reflitam
o pensamento do juiz desembargador sobre esses temas. Mas os mesmos certamente
estarão em destaque quando Luís Brites Lameiras for ouvido na 1.ª Comissão de
Assuntos Constitucionais como candidato a juiz conselheiro do TC.
Fonte: Observador,21 de março de 2026

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