Suecos respondem à pressão americana: Portugal tem "muito potencial" para produzir o caça que pode substituir os F-16


O.P.J. Pacifique Sud (2019) - Arié Elmaleh, Zoé Latchoumanin 

Os americanos recorreram ao embaixador para procurar influenciar uma decisão de milhões. Só que os suecos não querem ficar para trás. Há vários argumentos vindos de Estocolmo para convencer o Governo e a Força Aérea

O grupo sueco de defesa e segurança Saab admite que Portugal pode fazer parte do mapa de produção da sua mais recente geração de caças, os Gripen E, apontados como uma das alternativas para substituir os F-16 na Força Aérea Portuguesa.

Daniel Boestad, vice-presidente de desenvolvimento de negócios do programa Gripen, em declarações no âmbito de um encontro com jornalistas portugueses em Estocolmo, na Suécia, reconhece que, tendo em conta as parcerias da empresa sueca em Portugal, há a “possibilidade” de integrar o país através da produção de partes desta aeronave.

O responsável sugere mesmo uma localização: a OGMA-Indústria Aeronáutica de Portugal, em Alverca. Ao lembrar que a OGMA é o principal subcontratado da SaaB, Daniel Boestad acabou por questionar o potencial da OGMA para integrar a produção dos Gripen E e, de seguida, respondeu que “a OGMA tem muito potencial”.

Trata-se de mais um argumento do grupo sueco para posicionar o caça Gripen E como a alternativa europeia ideal para substituir os F-16 na Força Aérea Portuguesa, seguindo uma estratégia que já foi adotada, por exemplo, no Brasil - país que assegurou parte da produção ao comprar 36 destes caças de geração 4.5.

E o Brasil é precisamente o exemplo dado por Daniel Boestad quando admite a “possibilidade” de Portugal também assegurar parte da produção caso chegue a acordo com a fabricante sueca.

Foram já dados passos nos últimos meses com a assinatura de memorandos de entendimento com a OGMA, a Critical Software e a AED Cluster Portugal. Deste modo, para fechar negócio, o grupo sueco acena com a transferência de tecnologia, a criação de emprego qualificado e uma maior participação de Portugal numa indústria da defesa que está em expansão, dada a incerteza em vários pontos do globo.

Abordagens do Governo português? “Não há processo nem nada ainda”

Questionado sobre avanços na negociação com o governo português, através do ministério da Defesa, o responsável repete que “ainda não há processo. Quando os portugueses começarem o processo, estaremos lá. Se eles quiserem fazer-nos perguntas, iremos apoiá-los”.

Recentemente, numa entrevista à CNN Portugal, o novo embaixador dos Estados Unidos em Portugal defendeu que o país devia optar pela compra de caças F-35 – a opção preferida pela Força Aérea, produzida pela Lockheed Martin - aos Estados Unidos na hora de substituir a frota de F-16.

“É a Portugal que cabe decidir o que Portugal quer comprar. Deixem-nos decidir”, reage o vice-presidente da Saab. Embora sem deixar se posicionar o grupo sueco na corrida: “Acreditamos que este [Gripen E] é um excelente produto para Portugal, se decidirem nesse sentido”.

Um dos argumentos passa pela capacidade de introduzir rapidamente novas funções naquela que descreve como “a aeronave mais avançada do mundo”: “Há algo muito necessário no campo de batalha atual: a velocidade de mudança, de adaptação”.

A isto junta-se a necessidade de reforçar a soberania e a autonomia europeias, num contexto em que o protecionismo do presidente dos EUA, Donald Trump, tem impactos no Velho Continente — uma posição defendida, por exemplo, pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. “Somos uma empresa europeia”, reage, sucintamente, Daniel Boestad.

Por fim, a oportunidade de uma ponte operacional entre Portugal, Brasil e Suécia: no ano passado, Portugal adquiriu à brasileira Embraer o sexto KC-390 Millennium. Trata-se de um avião que está certificado para reabastecer os Gripen, que a Suécia também vai comprar e que conta com peças portuguesas fabricadas pela OGMA.

Fonte: CNN Portugal, 5 de março de 2026

Ainda nos metem os suecos em sarilhos, e o general Dan Caine vem raptar o Tozé Seguro sem sequer este ter tido tempo de aquecer a suprema cadeira da Nação.

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