Trump: "Espanha é um péssimo aliado. Não queremos ter nada a ver com eles"

 

O presidente dos EUA, Donald Trump, atacou Espanha numa conferência de imprensa na Casa Branca onde também estava o chanceler alemão, Friedrich Merz. Trump garantiu que Espanha é "um péssimo aliado", quando questionado sobre os países que não autorizaram a utilização de bases americanas.

Trump chegou mesmo a ameaçar a Espanha: "Hoje poderia cortar todas as relações comerciais com Espanha", afirmou. “A Espanha é um país que não tem sido cooperante, tal como o Reino Unido, e isso surpreende-me", disse Trump, que afirmou que a relação entre o Reino Unido e os EUA está a ir por água abaixo.

A Espanha invocou o artigo do acordo bilateral de defesa com Washington que permite à parte espanhola encerrar as duas bases militares em caso de intervenção aérea numa situação de guerra. A administração Trump começou a deslocar uma dúzia de aviões-cisterna para bases na Alemanha para abastecer os seus caças e bombardeiros no ar, enquanto procura alternativas.

Governo espanhol rejeita acusações de Trump e salienta papel de Espanha na NATO

Fontes do governo espanhol responderam às ameaças comerciais do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reivindicando o papel de Espanha como "membro fundamental da NATO que cumpre os seus compromissos e contribui de forma destacada para a defesa do território europeu".

O executivo espanhol sublinhou ainda que o país é "uma potência exportadora da União Europeia e um parceiro comercial fiável para 195 países do mundo, entre eles os Estados Unidos, com quem mantemos uma relação comercial histórica e mutuamente benéfica".

O governo espanhol adverte que, se a administração norte-americana quiser rever essa relação, deverá fazê-lo "respeitando a autonomia das empresas privadas, a legalidade internacional e os acordos bilaterais entre a União Europeia e os Estados Unidos". Neste sentido, o governo espanhol assegurou que o país dispõe dos recursos necessários para conter possíveis impactos económicos, apoiar os setores que possam ser afetados e diversificar as cadeias de abastecimento.

Em todo o caso, salientam que a vontade do executivo "é e será sempre trabalhar pelo comércio livre e a cooperação económica entre países, com base no respeito mútuo e no cumprimento da legalidade internacional" porque, acrescentam, "o que os cidadãos pedem e merecem é mais prosperidade, não mais problemas".

Espanha proibiu a utilização das bases americanas de Rota e Morón para atacar o Irão

O governo espanhol proibiu a utilização das bases militares americanas de Rota e Morón na operação de guerra no Irão. Isto significa que o governo americano está a procurar alternativas para os seus aviões, como a Alemanha.

Mesmo assim, Trump declarou que pode utilizar as bases militares quando quiser e sem pedir autorização. O líder norte-americano afirmou que "a Espanha não é amigável", embora tenha acrescentado que a culpa não é do povo espanhol, mas sim dos seus dirigentes. O chanceler Merz afirmou que iria tentar convencer a Espanha a aumentar as suas despesas com a defesa para 5% do PIB.

Anteriormente, o ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol, José Manuel Albares, tinha negado que os EUA utilizassem as bases militares de Rota (Cádis) e Morón de la Frontera (Sevilha) para a operação militar no Irão: "Não vamos emprestar as nossas bases para nada que não esteja no Tratado ou que não se enquadre na Carta das Nações Unidas", afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, apelou ao desanuviamento das tensões no Médio Oriente e apelou a uma solução "diplomática" para o Irão. A Espanha reiterou no domingo o seu apelo ao desanuviamento no Médio Oriente e a uma solução diplomática para o conflito, depois de os Estados Unidos e Israel terem lançado uma ofensiva sem precedentes contra o Irão durante o fim de semana.

Fonte: Euronews, 3 de março de 2026

Trump corta relações comerciais com Espanha. E também não está feliz com o Reino Unido

Presidente dos EUA retalia por Espanha não deixar as forças norte-americanas usar as bases espanholas no ataque ao Irão e critica Governo britânico pelo tempo que demorou até dar autorização

O presidente dos Estados Unidos anunciou esta terça-feira, na Casa Branca, que deu instruções para pôr fim a todos os acordos comerciais com Espanha. Ao lado do chanceler alemão Friedrich Merz, que se encontra em Washington D.C., Donald Trump também se mostrou insatisfeito com o Reino Unido, pela hesitação inicial em aceitar que as forças norte-americanas utilizassem as bases britânicas para ataques ao Irão.

“Alguns países europeus, como Espanha, têm sido terríveis. Disse a Scott [Bessent, secretário do Tesouro] para cortar todas as negociações com Espanha”, disse Trump, antes de explicar que o país liderado por Pedro Sánchez não deixou os EUA usarem as bases espanholas na ofensiva a Teerão. Em Espanha são “pouco amigáveis”, caracterizou.

“Agora Espanha disse que não podemos utilizar as suas bases”, afirmou Donald Trump, mesmo antes de declarar que, ainda assim, os EUA podiam usar as bases se quisessem, porque “ninguém” lhes “vai dizer para não” usarem.

Trump começou por recordar que as relações com Madrid tinham começado a deteriorar-se quando os EUA exigiram aos aliados da NATO um aumento dos gastos militares para 5% do PIB.

Todo o mundo estava entusiasmado com isso, Alemanha, todos, e Espanha não o fez”, disse, ao lado de Merz, que durante a conferência de imprensa acabou por se dizer “alinhado” com Trump na eliminação do regime iraniano.

“Espanha não tem absolutamente nada de que precisemos, exceto as pessoas, que são estupendas, mas não têm uma boa liderança”, disse Donald Trump. Depois, reiterou: “Não queremos ter nada a ver com Espanha”.

O governo espanhol veio, pouco mais tarde, responder que Espanha é “um membro fundamental da NATO” e “uma potência exportadora dentro da União Europeia”, bem com um “parceiro comercial fiável para 195 países”, entre os quais os EUA, “com quem mantemos uma relação comercial histórica”. Se essa relação for revista pelos EUA, devem, pelo menos, respeitar “a autonomia das empresas privadas, o direito internacional e os acordos bilaterais” com Bruxelas, indica o Palácio da Moncloa.

As declarações sobre os gastos com a defesa remetem para a semana da cimeira da Aliança do Atlântico Norte, em junho do ano passado, quando Pedro Sánchez reafirmou que Espanha iria gastar 2,1% do PIB em defesa, “nem mais, nem menos”. Ao ser o único aliado da NATO que não se comprometeu a gastar 5% do PIB em defesa, motivou críticas e ameaças de um aumento das taxas aduaneiras por parte de Donald Trump.

O presidente norte-americano não é o único a deixar alertas sobre os gastos militares. O chanceler alemão, Friedrich Merz, admitiu que vai pressionar Espanha para cumprir as metas da NATO: “Estamos a tentar convencê-los de que isto faz parte da nossa segurança comum”.

“Não é com Winston Churchill que estão a lidar”

Em relação ao Reino Unido, Donald Trump considera que demorou muito tempo até permitir que as forças norte-americanas usassem as suas bases aéreas para atacar o Irão. “Demorou três ou quatro dias para conseguirmos resolver onde podíamos aterrar. Teria sido muito mais conveniente aterrar em vez de voar mais horas extraordinárias, portanto, estamos muito surpreendidos. Não é com Winston Churchill que estão a lidar”, atirou, em declarações aos jornalistas.

A conferência de imprensa desta terça-feira acontece um dia após o Reino Unido autorizar a utilização de bases militares por parte dos Estados Unidos, mas recusar participar em ataques ao Irão. No entanto, o chefe de Estado norte-americano condena a decisão britânica de ceder a soberania das ilhas Chagos, um arquipélago no oceano Índico onde se localiza a base militar de Diego Garcia, às Maurícias, na África Oriental.

O Reino Unido negou fazer parte da operação militar de Israel e dos Estados Unidos contra o Irão iniciada no fim de semana, mas deu ‘luz verde’ a Washington para utilizar bases em território britânico para ataques ao Irão, em resposta aos ataques do regime de Teerão a interesses britânicos e a aliados no Golfo, invocando o Direito internacional. Inicialmente, o primeiro-ministro, Keir Starmer, hesitou, mas acabou por mudar de opinião assim que o Irão retaliou.

Já esta tarde o primeiro-ministro do Reino Unido anunciou que iria enviar para Chipre um navio da Marinha britânica, juntamente com helicópteros equipados com capacidades de contramedidas contra drones, porque a ilha europeia tem uma base militar britânica que foi alvo de drones iranianos nos últimos dias.

Fonte: ECO, 3 de março de 2026

Quanto pode custar a Espanha um corte comercial com os EUA?

Dos 970 milhões em azeite aos 4000 milhões em maquinaria, estes são os sectores que podem sentir primeiro um eventual corte comercial com os Estados Unidos

Quanto pode custar a Espanha cortar “todo o comércio” com os Estados Unidos, como ameaçou Donald Trump? Em 2025, as exportações espanholas para o mercado norte-americano atingiram 16 716 milhões de euros, menos 8% do que no ano anterior, e representaram 4,3% das vendas externas totais. O peso agregado é limitado, mas há sectores com exposição direta que seriam particularmente sensíveis a eventuais barreiras comerciais.

A ameaça surge depois de Madrid ter recusado colaborar nos ataques lançados pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irão e de não ter autorizado o uso de bases militares para operações logísticas. Numa conferência de imprensa na Casa Branca, Trump afirmou que quer cortar “todas as negociações” e “todo o comércio” com Espanha, sem especificar que instrumentos poderá utilizar, além de admitir possíveis “embargos”.

Os números mostram uma relação comercial desequilibrada. Espanha importou dos Estados Unidos 30 174 milhões de euros em 2025, mais 7% do que no ano anterior, o que elevou o défice comercial para 13 458 milhões de euros. Apenas a China apresenta um saldo negativo superior para Madrid.

Do lado das exportações, destacam-se a maquinaria e os aparelhos elétricos, que somaram quase 4000 milhões de euros. Só as máquinas e aparelhos mecânicos representaram cerca de 2600 milhões, enquanto o material elétrico atingiu 1765 milhões. Também tiveram peso relevante os produtos cerâmicos (590 milhões) e as manufaturas de pedra e gesso (335 milhões). O sector farmacêutico exportou 1265 milhões de euros, surgindo igualmente entre os segmentos mais expostos.

No agroalimentar, o azeite assume posição central: 970 milhões de euros exportados em 2025. O mercado norte-americano absorve metade do consumo mundial de azeite fora da União Europeia (UE), o que o torna particularmente estratégico. O vinho é outro produto com presença relevante, sendo os Estados Unidos o principal destino dos espumantes espanhóis. Nos produtos de carne curada, como o presunto ibérico, o impacto de eventuais tarifas sentir-se-ia sobretudo em Espanha.

Embora a política comercial seja competência exclusiva da UE, o que limita a margem para medidas dirigidas apenas a um Estado-membro, o Governo espanhol reagiu esta terça-feira sublinhando que “Espanha cumpre os seus compromissos”, acrescentando que se os Estados Unidos quiserem alterar a relação comercial, “terão de respeitar os acordos com a UE”. Ainda assim, Washington poderia optar por tarifas seletivas em categorias específicas em que o peso espanhol é mais visível. E a Casa Branca já utilizou o comércio como instrumento de pressão diplomática.

Em outubro, Trump ameaçou Espanha com retaliações comerciais por ser o único aliado da NATO que não se comprometeu a gastar 5% do PIB em Defesa.

Fonte: Expresso, 3 de março de 2026

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