Trump volta a 'mirar' nos programas de equidade e inclusão e impede governo de trabalhar com empresas com políticas antidiscriminatórias


Kathryn Watts

Entre o velho e o novo abre-se um abismo intransponível. E não apenas estético. Sempre que uma sociedade se demora a contemplar o que já se retira do mundo — o tempo findo — compromete, inevitavelmente, o seu próprio futuro. O velho vive na ilusão de que pode voltar atrás, ao seu tempo, quando — garante ele — o algodão doce crescia nas árvores. Simplesmente, não pode. Isso nunca aconteceu, nem acontecerá

O presidente norte-americano, Donald Trump, publicou na quinta-feira um decreto que proíbe as empresas que trabalham com o governo federal de adotarem políticas internas de combate ao racismo ou à discriminação de género

O decreto, que entra em vigor dentro de 30 dias, insere-se num contexto de ataques regulares de Donald Trump contra os programas de diversidade, equidade e inclusão (DEI), um conjunto de medidas frequentemente em vigor há décadas para combater a discriminação.

O presidente republicano e muitos dos apoiantes estão convencidos de que estas medidas impedem pessoas competentes de aceder a empregos, e acusam-nas regularmente de "racismo inverso".

"A minha Administração fez progressos significativos para pôr fim à discriminação racial na sociedade americana, incluindo as atividades supostamente de 'diversidade, equidade e inclusão'", escreveu Trump no decreto.

O chefe de Estado afirmou ainda que as políticas DEI aumentam os custos para os empregadores, que os repercutem nos contratos com o governo federal.

Garantia de nenhuma ligação a programas antidiscriminatórios

Para obter contratos com o governo, as empresas terão agora de incluir nos seus contratos uma cláusula de sete parágrafos, garantindo que "o contratante não se envolve em nenhuma atividade DEI de discriminação racial".

Desde o regresso ao poder, Donald Trump tem perseguido os programas DEI no seio do governo federal, nas universidades e escolas, bem como no desporto.

Entre outras medidas, colocou em licença os funcionários federais que trabalhavam nos serviços responsáveis pela diversidade, depois de ordenar o encerramento desses programas.

Em agosto, a Administração Trump anunciou que iria "reavaliar" certas exposições nos museus Smithsonian em Washington, para eliminar o "discurso divisivo ou partidário", no âmbito da cruzada contra as manifestações de consciência social e racial, que o presidente ridiculariza como "woke", no sentido de demasiado "progressistas".

Fonte: SIC Noticias, 27 de março de 2026

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