EUA ponderam castigar países da NATO com retirada de tropas. Portugal deverá estar fora do radar da punição

 

Os Estados Unidos estão a estudar a possibilidade da aplicação de um plano para punir alguns Estados-membros da NATO

De acordo com o Wall Street Journal, a administração Trump e o presidente norte-americano em especial acreditam que os aliados foram inúteis durante a guerra contra o Irão.

Ainda segundo a mesma publicação, o que está em cima da mesa é a retirada de tropas norte-americanas dos países da NATO que os Estados Unidos entendem que não se mostraram disponíveis para ajudar no esforço de guerra.

Essas mesmas tropas podem ser transferidas para os países que ajudaram os Estados Unidos na mesma guerra.

De recordar que os Estados Unidos têm mantido, até antes da guerra, um grande fluxo de aviões na base das Lajes, na ilha Terceira, com Portugal a autorizar a permanência e a partida de aviões militares, além de, mais recentemente, os drones de ataque MQ-9 Reaper.

Além disso, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, chegou mesmo a ligar ao ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, para agradecer a assistência prestada.

Nessa lógica, Portugal não deverá ser afetado caso os Estados Unidos decidam ir mesmo em frente. Em sentido contrário, Espanha será, certamente, um dos países na calha da tal punição, já que o governo de Pedro Sánchez tem sido uma das vozes mais críticas da guerra lançada contra o Irão, tendo até recusado a utilização das suas bases para operações militares.

Fonte: CNN Portugal, 8 de abril de 2026

NATO foi “testada e falhou”. Trump prepara-se para discutir saída da aliança atlântica

A porta-voz da Casa Branca disse ter uma mensagem do presidente dos EUA sobre a Aliança Atlântica: "Foram testados e falharam". O fecho de uma base militar na Europa está nos planos de Trump

Donald Trump deverá discutir com Mark Rutte a saída do país da NATO, referiu Karoline Leavitt, porta-voz da Casa Branca, esta quarta-feira durante o briefing com os jornalistas.

O cessar-fogo de duas semanas fechado entre o EUA e o Irão dominou o briefing, mas antes do encontro do secretário-geral da NATO Mark Rutte, com Donald Trump, a porta-voz da Casa Branca disse ter uma mensagem do presidente dos EUA sobre a Aliança Atlântica: “Foram testados e falharam.”

Leavitt referiu ainda que Trump estava entusiasmado com uma conversa franca com Rutte e que a saída dos EUA da NATO seria provavelmente discutida. “É algo que o presidente tem falado, e penso que é algo que o presidente irá discutir em algumas horas com o secretário-geral Rutte”, disse a porta-voz, citada pela Reuters.

Trump tem vindo a ameaçar com a saída da NATO depois de vários países europeus membros da Aliança Atlântica terem fechado bases ou espaço aéreo a aviões norte-americanos em trânsito para o Médio Oriente e se terem recusado a enviar forças militares para desbloquear o Estreito de Ormuz enquanto o conflito estivesse a decorrer.

Os detalhes da conversa “franca” que Trump pretende ter com Rutte ainda não são públicos, mas o Wall Street Journal avança que a administração norte-americana tem planos de castigar alguns países NATO que o presidente dos EUA considera que não ajudaram os EUA e Israel no ataque ao Irão, com a retirada de militares americanos e o seu destacamento para outras nações vistas como mais favoráveis às políticas de Washington.

O plano, segundo o jornal que cita fontes da administração, poderá passar pelo fecho de uma base militar na Europa, possivelmente Espanha — que fechou bases e espaço aéreo a aeronaves americanas em trânsito para o Médio Oriente — ou Alemanha.

Há dúvidas sobre a capacidade efetiva de Trump poder sozinho retirar o país da Aliança Atlântica, dado que para o fazer terá de obter aprovação do Congresso.

A Constituição americana refere que o presidente pode estabelecer Tratados com o conselho ou consentimento do Senado, desde que dois terços dos 100 membros do Senado aprovem, mas é omisso no que toca à sua retirada.

Mas em 2023, o Congresso passou, e o então presidente Joe Biden assinou, uma lei que impede qualquer presidente dos EUA de suspender, terminar, denunciar ou retirar o país do tratado que estabeleceu a NATO, a não ser que a retirada obtenha o apoio de uma maioria de dois terços dos 100 membros do Congresso. A legislação foi uma Emenda ao National Defense Authorization Act, com o apoio do senador democrata Tim Kaine e pelo então senador Marco Rubio.

Já o tratado da NATO abre espaço para que qualquer país membro o possa fazer, desde que com um aviso prévio de um ano ao governo dos EUA que, por sua vez, irá informar os outros Estados-membros (Art. 13 do Tratado da Aliança Atlântica).

Até ao momento, nenhum país saiu da organização criada no rescaldo da II Grande Guerra para servir de contrapeso defensivo à ameaça soviética para a Europa Ocidental.

Fonte: ECO, 8 de abril de 2026

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