Um E-3 Sentry destruído e dois aviões de combate abatidos. Irão mantém capacidade de lançar mísseis, admitem serviços secretos dos EUA
Antes
de ter abatido dois aviões de combate dos EUA, o Irão já tinha destruído um
avião de controlo e vigilância numa base saudita. Metade dos lançadores de
mísseis ainda estarão intactos
O Boeing E-3 Sentry norte-americano estava estacionado na
base militar Príncipe Sultan, na Arábia Saudita, uma das maiores dos EUA na
região do Golfo. No dia 27 de março, sem que nada o fizesse prever, um míssil
iraniano atingiu a base, destruindo o avião, usado para funções de controlo e
vigilância. O ataque levanta questões sobre como um ativo de vigilância crítico
ficou desprotegido ao ponto de ser destruído numa base militar e como o Irão
continua a manter capacidade de lançar ataques precisos — mesmo depois de os
Estados Unidos terem garantido que o número lançamento de mísseis por parte do
Irão diminuiu mais de 80% desde o início da guerra. Já esta sexta-feira, o Irão
atingiu quatro outras aeronaves norte-americanas que voavam sobre o seu
território (dois helicópteros Black Hawk e dois aviões de combate, que foram
mesmo abatidos).
O avião norte-americano destruído em terra no final de março
era um dos 16 E-3 operacionais da Força Aérea dos EUA, que começaram a ser
produzidos na década de 1960, e que carregam equipamentos sofisticados de
monitorização que lhes permitem lançar alertas para ameaças aéreas, além de
vigiar e monitorizar comunicações, movimentação de tropas e equipamentos e
equipamentos de defesa aérea, explica o The Guardian. O E-3 pode
rastrear até 600 alvos em simultâneo, atuando como os olhos e ouvidos dos
pilotos dos caças norte-americanos.
Apesar de a Força Aérea dos EUA ter vários aviões deste
tipo, estas aeronaves, já antigas, sofrem há muito tempo com problemas de
manutenção. Em 2024, por exemplo, a taxa de disponibilidade operacional dos E-3
era de cerca de 56%, ou seja, pouco mais da metade estava apta a voar e a
realizar missões.
Imagens do local do ataque, que também feriu militares
americanos e danificou várias aeronaves de reabastecimento em voo, a 27 de
março, mostram um impacto direto do drone Shahed usado pelo Irão no radar do
E-3, localizado perto da cauda. E prova que a Guarda Revolucionária islâmica
do Irão (que reivindicou o ataque) mantém um alto nível de precisão nos ataques
que leva a cabo no Golfo.
A capacidade iraniana de continuar a lançar mísseis, mesmo
depois de um mês de intensos bombardeamos norte-americano e israelitas contra
as suas instalações militares, contrariam as declarações de responsáveis destes
dois países, que garantem terem conseguido diminuir, de forma acentuada, a
capacidade do Irão de lançar mísseis balísticos e drones. Logo a 4 de março,
poucos dias depois do início da guerra, o Comando Central dos EUA, responsável
pelas atividades militares americanas no Oriente Médio, já garantia que os
lançamentos de mísseis por parte do Irão tinham caído 86% e os lançamentos de
drones tinham diminuído 73%.
Contudo, uma avaliação dos serviços secretos
norte-americanos, divulgada pela CNN esta sexta-feira, mostra uma realidade
diferente: aproximadamente metade dos lançadores de mísseis do Irão ainda estão
intactos e milhares de drones de ataque (cerca de 50% do total) mantêm-se
operacionais no arsenal iraniano. Além dos lançadores de mísseis, o Irão mantém
também um grande número de mísseis, incluindo mísseis de cruzeiro.
Segundo uma das três fontes familiarizadas com os serviços
secretos dos EUA, que falou com a CNN, o Irão “ainda está muito bem preparado
para causar o caos total em toda a região”.
Contudo, no discurso à nação na noite de quarta-feira, Trump
afirmou que a “capacidade do Irão de lançar mísseis e drones foi drasticamente
reduzida, e suas fábricas de armas e lançadores de rockets estão a ser feitos
em pedaços, restando muito poucos deles”.
Esta sexta-feira, o Irão voltou a contrariar esta ideia, ao
abater, no sul do país, um caça norte-americano F-15. De seguida, abateu também
um outro avião de combate norte-americano, um A-10 Warthog, que foi mobilizado
para a operação de busca e salvamento dos dois pilotos do F-15, e que acabou
por cair já no Kuwait. Ao mesmo tempo, foram também atingidos dois helicópteros
Black Hawk norte-americana, que também participavam nas operações de busca.
Fonte: Observador, 4 de abril de 2026

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