Abrir correspondência sem deixar qualquer marca
O serviço de informações militares sul-africano era, naquela época, baseado na escola inglesa em termos tanto doutrinários, como de técnicas, procedimentos e táticas. Recorriam, também a ações de formação nos Estados Unidos da América, mormente cursos de atualização de técnicas avançadas e inovadoras, fotografia e imagem, manuseamento e manipulação de documentação.
Num dos cursos, adquiriram uma maquineta a vapor que servia para abrir
correspondência sem deixar qualquer marca de violação que pudesse alertar o
remetente.
Quando Óscar Cardoso demonstrou a técnica rudimentar que era ensinada na
PIDE/DGS há já bastantes anos – um palito introduzido na parte inferior do
envelope e que, rodado lentamente para cima, retirava a cola e o abria por
baixo, mantendo a parte superior inviolada –, o brigadeiro Tolik Botha
demonstrou algum incómodo por essa técnica elementar desafiar a alta tecnologia
importada dos Estados Unidos da América.
O olhar colérico que dirigiu a Óscar Cardoso deixou claro que os métodos
arcaicos utilizados pelos portugueses não eram bem-vindos por aquelas bandas. A
PIDE/DGS tinha uma enorme experiência em capítulo de violação de
correspondência, mormente em território nacional.
Os Flechas: A Tropa Secreta da PIDE/DGS
na Guerra de Angola (1967-1974)
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