E com uma das disquetes que tinha deixado entregue a um colaborador
“O Rui Pinto teve de esperar um ano inteiro na prisão para se
chegar à única solução que, obviamente, era aquela que melhor servia a justiça,
que era ter o Rui Pinto como colaborador da justiça, e não prisioneiro da justiça.
(…).
Essa solução foi encontrada após longa negociação, e foi
encontrada não por iniciativa dos juízes, da juíza de instrução, não por
iniciativa do Ministério Público, mas por iniciativa da polícia judiciária, e
por isso é que a polícia judiciária, simultaneamente garantiu que Rui Pinto vai
colaborar com ela, ao mesmo tempo vai dar a Rui Pinto a necessária segurança 24
horas por dia. (…).
A negociação não chegou a acordo, não chegou a bom termo mais
cedo, porque se exigia, ou não se garantia a Rui Pinto que, ao desincriptar o
que está nas disquetes, que o seu conteúdo não pudesse ser usado para ser
acusado de novos crimes. E portanto, ele não cedeu nesse braço de ferro, até
ter a garantia de que isso não vai acontecer. Rui Pinto estava preso porque tem
naquelas disquetes encriptadas, e que a PJ não conseguiu desincriptar, segredos
que vão abalar muita gente. Neste momento há muita gente que não vai dormir
tranquilo, nem sequer vai jantar tranquilo com esta notícia. A libertação de
Rui Pinto vem provar uma coisa, que ele de facto não estava preso por tentativa
de extorsão da Doyen, um crime a que corresponde uma pena de um a três anos,
ele já tinha cumprido um ano de preventiva, não era por isso que ele estava
preso, ele estava preso exatamente para ver se desincriptava as disquetes, e,
portanto, a prisão preventiva de Rui Pinto foi ilegal. (…).
Basta ver que Rui Pinto, mesmo na prisão, e com uma das disquetes
que tinha deixado entregue a um colaborador, ele conseguiu abalar Isabel dos
Santos, a mulher, embora seja angolana, era a mulher mais poderosa de Portugal.
Portanto imagina o que ele não pode fazer com o que está dentro das disquetes.
Eu estou convencido absolutamente que, neste caso, a montanha não vai parir um
rato. E só isso justifica o terror do que estava dentro daquelas disquetes, e
as influências que se terão mexido para que Rui Pinto permanecesse na prisão,
em troca, até entregar as disquetes, sem cópia delas, deve ter sido tamanho,
que só isso explica de facto a importância do que pode estar ali. E aquilo que
eu disse, q’ há muita gente hoje que não vai dormir sossegada.”
Miguel Sousa Tavares

Comentários
Enviar um comentário