Será de ver filmes policiais

“Eu fico com a consciência de que a partir daquele momento está cristalizado um diferendo, que vai resultar num incidente, nomeadamente na instauração de uma participação disciplinar. (…).

O senhor general [Martins Pereira] disse-me que supunha que fosse porque na margem sul houvesse menos rede ou menos possibilidade de se descobrir quem era o informador. Por extravagante que me tenha parecido este procedimento, será de ver filmes policiais, pareceu-me um modus operandi normal com um informador que diz que não quer ser identificado. (…).

Não detetei direta ou indiretamente no senhor general Martins Pereira uma qualquer preocupação, e ele era bastante preocupado com as questões da legalidade. (…). Esse informador não podia ser identificado porque tinha medo da Polícia Judiciária, porque a Polícia Marítima estaria disposta a colocar armas ou material militar no jardim do informador. Não está aqui em causa que fossem os autores do furto (…).

Não sou órgão de investigação criminal. A senhora procuradora tinha dito claramente que ia fazer chegar a participação disciplinar.”

Azeredo Lopes, ex-ministro da Defesa

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