Terminou com os ministros a aplaudir
Os ministros das Finanças da União Europeia chegaram esta quinta-feira [09/04/2020] a um acordo para uma resposta comunitária à crise económica provocada pela pandemia de Covid-19.
A notícia foi avançada pelos ministros de vários países após a
videoconferência entre os 27 responsáveis pelas Finanças, entre eles o ministro
da Holanda, um dos países que mais entraves colocara até agora à aprovação de
uma linha de crédito para sustentar as economias da UE.
O porta-voz de Mário Centeno, presidente do Eurogrupo, adiantou,
na mesma rede social, que o acordo alcançado “terminou com os ministros a
aplaudir”, enquanto o ministro francês, Bruno Le Maire, dá conta de “um
excelente acordo” que garante “500 mil milhões de euros disponíveis
imediatamente” e prevê “um fundo de relançamento” no futuro.
Também o comissário europeu da Economia, o italiano Paolo
Gentiloni, anunciou um acordo em torno de “um pacote de dimensões sem
precedentes”.
Um acordo "totalmente sem precedentes”, que era “impensável”
nas últimas semanas e permitiu “superar as nossas diferenças”, depois de 16
horas e meia de reuniões e muitas mais de preparação e de conversas de
bastidores.
Medidas entram em vigor “nas próximas duas semanas”
Foi desta forma que o presidente do Eurogrupo, Mário Centeno, em
conferência de imprensa, descreveu o entendimento hoje alcançado entre os
ministros das Finanças da UE. “A solidariedade é fundamental para evitar a
desagregação da Zona Euro”, acrescentou Centeno, prometendo que as medidas
deverão estar “operacionais nas próximas duas semanas”.
Anunciando as principais decisões acordadas na reunião, o
presidente do Eurogrupo começou por destacar o emprego, tão afetado pela
pandemia de Covid-19, prometendo um investimento de 100 mil milhões para
fortalecer as medidas já existentes e confirmando a criação da plataforma SURE,
para o mercado de trabalho, “que vai complementar as redes de segurança”
existentes.
Centeno confirma igualmente um “escudo pan-europeu”, proporcionado
pelo Banco Europeu de Investimento, que vai garantir 200 mil milhões de euros
para empresas europeias – sobretudo as de pequena e média dimensão.
Por fim, o presidente do Eurogrupo anunciou uma “rede de
segurança” para os próprios Estados-membros, num total de 240 mil milhões de
euros (Portugal terá disponíveis 4.500 milhões), o que representa 2% do PIB de
cada país.
Este dinheiro chegará através do Mecanismo Europeu de
Estabilidade. Mas Centeno adverte: “Estes fundos têm de ser diretamente usados
para cuidados de saúde e cuidados relacionados com a pandemia”.
Lembrando que o único compromisso do acordo “é gastar o dinheiro
em cura e prevenção”, Centeno terminou a conferência de imprensa dizendo-se
“orgulhoso” de ser o presidente do Eurogrupo, que soube “reagir rapidamente” e
definiu hoje medidas para enfrentar “uma crise totalmente inesperada”.
Por ora, o presidente do Eurogrupo acredita que os mais de 500 mil
milhões de euros disponíveis são adequados, mas admite que “a dimensão dos
recursos que será necessário mobilizar será decidido à medida que a crise se desenvolve”.
“Agora o que precisamos é de combater o vírus, reagir e reabrir as
nossas economias. Com cuidado, na medida do que for possível [reabrir]. Só
depois podemos começar a recuperar, com todos os recursos que forem necessários
para responder à crise”, explicou Mário Centeno.
Fonte: Renascença
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