O dr. Passos Coelho nem sabia se o dr. Ricardo Salgado era criminoso ou não
“Eu vou-lhe ser sincero. Eu acho que aehh aehh esses elogios
que eu ouvi, até da forma como eu os ouvi, acho que as pessoas, muitos deles
que fizeram elogios, nem terão entendido bem a dimensão do que ehh na altura o
primeiro-ministro Passos Coelho fez. O que eu ouço, ligar isso à atual
acusação, dizendo que ehh o então primeiro-ministro ehh evitou, pegou num num
criminoso, evitou q’ o criminoso continuasse com o crime. Ora bom, se fosse
isso que o dr. Passos Coelho tivesse feito, isso não tinha valor praticamente
nenhum, porque nós dizermos que não a um criminoso é a nossa obrigação. O dr.
Passos Coelho nem sabia se o dr. Ricardo Salgado era criminoso ou não, ainda
hoje nós suspeitamos, mas não temos a situação transitado em julgado.
O que ele fez foi uma coisa completamente diferente, q’ as
pessoas ainda nem conseguiram avaliar, não foi travar um criminoso, foi travar
alguém que tinha muito poder, um poooderoso, e aí é que reside o ato que ele
teve, e o ato que eu próprio na altura elogiei, e não me cansarei de elogiar,
porque é aliás um ato que eu gosto muito, e que condiz muito com a minha
própria maneira de ser. Ele teve a coragem não a um poderoso, talvez ao maior
poderoso do país. Não foi travar um criminoso, as pessoas ehh ao elogiá-lo
dessa forma até estão a desvalorizar o que ele próprio fez. Não. Ele disse que
não a alguém que era talvez a pessoa mais poderosa de Portugal. Se era
criminoso ou não, ninguém sabia, ainda hoje não o podemos afirmar assim, não é?
Portanto é isto que deve ser evidenciado e relevado. E é
isto que é muito raro, muito raro, na política portuguesa, é ter a coragem de
dizer que não a quem é poderoso, principalmente a quem era o mais poderoso. E
isto é que deve ser dito assim, é assim sim. E assim estamos a valorizar aquilo
que foi feito, tá?
Rui Rio



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