Tribunal Geral da UE livra Apple de multa de 14 mil milhões
No cerne da disputa legal figuram as empresas Apple Sales
International (ASI) e Apple Operations Europe (AOE), que são usadas pela
gigante californiana para fazer negócio fora da América do Norte
Magrethe Vestager, vice-presidente da Comissão Europeia e
responsável pela pasta da Concorrência, teve esta quarta-feira a primeira
derrota no processo que tinha por objetivo obrigar a Apple a pagar uma multa
recordista de 14 mil milhões de euros devido a acordos fiscais estabelecidos
com o Estado irlandês durante duas décadas. O Tribunal Geral da UE considerou
que a Comissão Europeia não conseguiu demonstrar que a gigante norte-americana e
o Estado irlandês violaram os princípios consagrados no Tratado sobre o
Funcionamento da União Europeia (TFUE).
O Tribunal Geral da UE, que é a segunda instância jurídica
na hierarquia do espaço comunitário, anulou a aplicação da multa, alegando que
a Comissão Europeia não conseguiu apresentar provas que os acordos fiscais
estabelecidos entre Apple e Estado irlandês permitiram tirar partido de uma
vantagem concorrencial face a outros Estados-membros.
A decisão tem por pano de fundo o artigo 107º do TFUE. No
cerne da disputa legal figuram as empresas Apple Sales International (ASI) e
Apple Operations Europe (AOE), que são usadas pela gigante californiana para
fazer negócio fora da América do Norte.
“A Comissão errou ao declarar que a ASI e a AOE beneficiaram
de vantagens económicas seletivas, e por acréscimo, de uma ajuda do Estado
(irlandês)”, refere o comunicado do Tribunal Geral da UE.
O mesmo comunicado divulgado pelos juízes europeus considera
que o erro da Comissão incide no facto de ter concluído que os governos de
Dublin estariam a beneficiar indevidamente ASI e AOE ao autorizar que os ganhos
alcançados com a propriedade intelectual em vendas fora do mercado
norte-americano não fossem declarados pelas subsidiárias da Apple na Irlanda.
“A Comissão deveria ter demonstrado que essas receitas
representaram o valor das atividades realmente levadas a cabo pelas próprias
subsidiárias (da Apple) irlandesas”, sublinha o Tribunal Geral da UE.
Fonte: Expresso

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