Investigação revela que serviços secretos russos estão a cooperar com o Estado Islâmico para recrutar agentes

Os serviços secretos da Rússia têm recrutado ativamente antigos combatentes do ISIS como "agentes" em vários países, incluindo a Ucrânia, segundo relata uma investigação do Meduza, um órgão de comunicação social russo independente.

A história destaca o caso de Baurzhan Kultanov, um cidadão russo que se juntou às fileiras do Estado Islâmico na Síria, mas que mais tarde ficou desiludido com as suas missões. Apercebendo-se de que o grupo "não estava a lutar pelos interesses dos muçulmanos, mas sim a semear o caos", Kultanov decidiu deixar a Síria e procurar asilo político na Turquia. No entanto, as autoridades turcas descobriram o seu anterior envolvimento com o Estado Islâmico, o que levou à sua deportação para a Rússia.

Quando regressou, de acordo com a investigação, Kultanov viu-se confrontado com uma escolha: cooperar com os serviços secretos russos ou enfrentar a prisão. É relatado que o russo concordou em trabalhar com o FSB e foi posteriormente condenado a quatro anos e quatro meses de prisão. A sua libertação ocorreu em 2019, acompanhada de uma diretiva das autoridades que o enviavam para a Ucrânia, uma vez que manifestaram interesse em utilizá-lo como "agente". Especificamente, os serviços especiais russos queriam que Kultanov se infiltrasse nos batalhões chechenos e tártaros alinhados com a Ucrânia.

De acordo com fontes citadas pelo Meduza, houve vários casos de "agentes" deste tipo a operar na Ucrânia e noutros locais. As suas tarefas vão, alegadamente, desde a espionagem e tentativas de corromper indivíduos de interesse até à execução de homicídios por contrato.

Fonte: CNN Portugal, 16 de maio de 2023

As pessoas mais confiáveis da era moderna são os espiões e os jornalistas, são ambos independentes.

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