Milhares de crianças esterilizadas à força no Japão em nome da qualidade, denuncia relatório: vítimas lutam há décadas por indemnizações
Milhares de pessoas foram esterilizadas à força no Japão ao
abrigo da lei de eugenia entre 1948 e 1996: de acordo com um relatório,
de 1400 páginas, apresentado esta semana ao Parlamento, terão sido cerca de 16 500
pessoas operadas sem o seu consentimento, para “impedir o nascimento de
descendentes de má qualidade e para proteger a vida e saúde da mãe”. De
acordo com o jornal britânico ‘The Guardian’, a maioria das vítimas eram mulheres.
O relatório do Governo apontou que crianças com até nove
anos estavam entre os milhares de pessoas submetidas a uma lei que não foi revogada
até à década de 1990. Houve cerca de 8 mil pessoas que deram o seu
consentimento, ao passo que quase 60 mil mulheres abortaram por causa de
doenças hereditárias.
A longa campanha das vítimas por reparações deixou a
descoberto os maus-tratos do Japão às pessoas com deficiência e condições
crónicas a seguir à II Guerra Mundial. Em 2019, os deputados aprovaram uma legislação
que oferecia a cada vítima uma compensação do Estado de 22,8 mil dólares (cerca
de 20,8 mil euros), sendo que o prazo de inscrição para o pagamento expira em
abril de 2024 – até ao momento, apenas 1049 receberam a indemnização.
As vítimas do programa de esterilização fazem campanha há
décadas em busca de indemnizações financeiras e reconhecimento pela angústia
física e mental que sofreram. O relatório observou que a esterilização sob
a extinta lei de eugenia – que permitia às autoridades realizar o procedimento
em pessoas com deficiência intelectual, doença mental ou distúrbios
hereditários para evitar o nascimento de crianças “inferiores” – era um
requisito para admissão em algumas instituições de bem-estar ou para um
casamento.
Fonte: Executive Digest, 22 de junho de 2023
Foto: Ai Eikura, 1,64 m, 82-58-86, nascida em Kanagawa
a 12 de fevereiro de 1992.














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