"A Ucrânia tem de permanecer neutra". Sarkozy defende Rússia e Putin
Euro Trip
(2004) - Michelle Trachtenberg, Travis Wester
Antigo presidente francês usou o segundo volume do livro,
que vai ser publicado a 22 de agosto, para se pronunciar abertamente sobre a
guerra na Ucrânia
A Europa uniu-se contra a invasão russa da Ucrânia, mas há
algumas vozes que parecem resistir às críticas. É o caso do antigo presidente
de França, Nicholas Sarkozy, que defendeu a invasão, ao mesmo tempo que
criticou o apoio da União Europeia (UE) e dos Estados Unidos (EUA) a Kiev. O
conteúdo do livro do ex-presidente francês - que ainda não foi publicado
oficialmente - está a ser fortemente criticado, nomeadamente por causa das
declarações sobre o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e ao conflito.
"A
Rússia tem de renunciar a todas as ações militares contra os seus vizinhos...
a Ucrânia tem de se comprometer a permanecer neutra", escreve Nicholas
Sarkozy no segundo volume do livro Les Temps des Combats, ao qual o The
Guardian teve acesso antecipado. Um claro sinal de que está contra a adesão da Ucrânia à NATO, que é uma das
justificações da Rússia para a guerra.
O antigo presidente de França já tinha, recentemente,
garantido numa entrevista que a Rússia precisa da Europa, tal como a Europa
precisa da Rússia, mas no seu livro vai mais longe.
O antigo presidente francês fala abertamente da guerra na
Ucrânia, descrevendo os dois lados envolvidos no conflito como
"beligerantes". "Diz-se que estamos a travar uma guerra contra a
Rússia sem a travar. É evidente que não estamos envolvidos no terreno, mas
estamos a entregar armas a um dos beligerantes", lê-se. E continua: "A
Rússia continuará a ser nossa vizinha, quer queiramos quer não. Temos de
encontrar formas e meios de restabelecer relações de vizinhança ou, pelo menos,
relações mais calmas”.
Nicholas Sarkozy critica ainda o apoio da UE e dos EUA a
Kiev. "A NATO poderia, ao mesmo tempo, afirmar a sua vontade de respeitar
e ter em conta o medo histórico da Rússia de ser cercada por vizinhos
hostis", afirma.
As declarações do ex-presidente francês e, em especial a
defesa de Putin, estão a ser alvo de críticas. Citado pelo jornal inglês,
um antigo conselheiro dos serviços secretos de Sarkozy, Jérôme Poirot, garante
que os comentários são "vergonhosos" e reescrevem a história do
conflito.
No livro, que vai ser publicado a 22 de agosto, Sarkozy, que
abandonou o Eliseu há mais de uma década, aborda ainda outras questões e
menciona outras personalidades da esfera internacional, sendo que nem Barack
Obama nem Boris Johnson saem ilesos. Obama é “bastante frio,
introvertido e apenas marginalmente interessado nas pessoas que o rodeiam”,
diz, enquanto Boris Johnson foi “rapidamente arrastado pela mesma
falta de seriedade e de convicções que o tinham levado a apoiar a heresia do
Brexit por puro cálculo pessoal".
Fonte: CNN Portugal, 19 de agosto de 2023

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