Bloqueio russo aos portos ucranianos é “escandaloso e deve acabar”, diz presidente do Conselho Europeu
"É francamente escandaloso que a Rússia, depois
de pôr fim à iniciativa cerealífera do Mar Negro, esteja a bloquear e a atacar
os portos marítimos ucranianos. Isto tem de parar", disse Charles
Michel.
A Rússia retirou-se do acordo que permitia a exportação em
segurança de cereais da Ucrânia, um dos maiores produtores do mundo, depois de
dizer que o acordo não conseguiu atingir o objetivo de aliviar a fome em
África.
Desde então, o Kremlin tem pedido à Turquia que ajude a
Rússia a exportar os seus cereais para países africanos, nomeadamente no início
da semana, em conversações entre o líder russo, Vladimir Putin, e o Presidente
turco, Recep Tayyip Erdogan, no sul da Rússia.
“A oferta de um milhão de toneladas de cereais a África
feita pelo Kremlin é absolutamente
cínica”, acrescentou Charles Michel aos jornalistas em Nova Deli, na
véspera da cimeira do G20.
A Ucrânia e a Rússia são grandes exportadores de cereais. O
acordo implementado no ano passado ajudou a baixar os preços globais dos
alimentos e proporcionou à Ucrânia uma importante fonte de receitas para o seu
esforço de guerra.
“Os navios que transportam cereais devem poder aceder ao Mar
Negro com total segurança”, sublinhou Michel, especificando que a iniciativa
das Nações Unidas permitiu inicialmente entregar 32 milhões de toneladas, “em
particular aos países em desenvolvimento”.
Putin alegou que, “das 32,8 milhões de toneladas exportadas
da Ucrânia, mais de 70% acabaram nos países ricos, principalmente na União
Europeia”, com os países mais carenciados a receberem apenas 3% dos cereais que
saíram pelos portos ucranianos, ou seja, “menos de um milhão de toneladas”.
Desde que se retirou do acordo de cereais, a Rússia
intensificou os seus ataques contra os portos fluviais ucranianos do Danúbio,
na região de Odessa, a que a Ucrânia tem recorrido para exportar cereais.
“Mais de 250 milhões de pessoas enfrentam uma grave
insegurança alimentar em todo o mundo e, ao atacar deliberadamente os
portos marítimos ucranianos, o Kremlin está a privá-las dos alimentos de que
necessitam desesperadamente”, argumentou Michel.
Fonte: Sapo 24, 8 de setembro de 2023
Em Charles Michel conflui a fome da nulidade com a vontade de comer política.


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