Durão Barroso ataca esquerda sectária que deseja a morte cívica de Cavaco Silva e pede "reequilíbrio do espaço público"
O bolo-rei de 1995. Cavaco Silva é recebido em festa na
Brandoa: “Bolo-rei para todos.”
Esta posição foi transmitida pelo antigo líder do PSD
(1998/2004) e antigo chefe do Governo português (2002/2004) na apresentação do
livro de Cavaco Silva, intitulado “O Primeiro-Ministro e Arte de Governar”, da
Porto Editora, numa sessão que encheu o Grémio Literário, em Lisboa.
Durão Barroso, que foi primeiro secretário de Estado e
depois ministro de governos de Cavaco Silva, manifestou-se surpreendido
com o facto de o livro do Presidente da República entre 2006 e 2016 ter sido
criticado por comentadores e agentes políticos mesmo antes de ser divulgado.
Cabendo-lhe a apresentação do livro, o ex-presidente da
Comissão Europeia frisou que Cavaco Silva, na sua carreira política, conseguiu
o feito ímpar de ter obtido quatro maiorias absolutas: duas enquanto
primeiro-ministro (1987 e 1991) e outras duas enquanto Presidente da República
(2006 e 2016).
“Fiquei surpreendido e até algo indignado quando vi,
ainda antes de o conteúdo do livro ser publicado, tantos comentadores e agentes
políticos a criticarem este livro. O que se passa quando há tanta acrimónia
em relação ao professor Cavaco Silva? O que se passa quando alguns
comentadores e agentes políticos querem decretar a morte cívica do professor
Cavaco Silva?”, interrogou-se.
Durão Barroso defendeu que deveria ser reconhecido ao
ex-Presidente da República, “como aconteceu a outros estadistas
portugueses, a combatividade, a vontade de intervir e de tomar a palavra,
partilhando a sua experiência”.
Neste contexto, avançou com possíveis explicações sobre a
forma como o antigo primeiro-ministro e Presidente da República é tratado por
uma parte da esquerda portuguesa.
“Pode ser a palavra inveja quando
se está perante alguém que conseguiu os mais espetaculares resultados em
democracia, mas penso que é mais profundo do que isso — e digo-o
como uma certa pena. Penso que em Portugal temos uma certa esquerda que é
muito dogmática, que é intolerante e preconceituosa”, criticou.
Na perspetiva do antigo líder social-democrata e
primeiro-ministro de um executivo de coligação PSD/CDS-PP, no espaço do centro
direita, em geral, reconhece-se os méritos dos adversários políticos, “o que é
saudável”.
“Mas também há uma certa direita, com falta de inteligência
e de cultura política, que alimenta o complexo de superioridade de uma certa
esquerda”, referiu sem especificar essa corrente, antes de procurar identificar
“o problema de fundo” existente no país político.
De acordo com Durão Barroso, a democracia nascida com a
revolução de 25 de Abril de 1974 sucedeu a um regime “autoritário, reacionário
e conservador”.
“Há uma esquerda que se considera dona e proprietária do
regime e nunca quer aceitar que haja personalidades do centro-direita que
tenham sucesso nos planos nacional e internacional. De facto, é uma pena,
porque se trata de um ressentimento”, advogou o antigo presidente da Comissão
Europeia.
O antigo primeiro-ministro defendeu depois que Portugal “precisa
de respirar com os dois pulmões, o esquerdo e o direito”, e que se impõe no
país um reequilíbrio do espaço público entre esquerda e direita.
“Infelizmente, no país, há muita gente que só quer respirar
com um pulmão. No espaço público, o país está muito desequilibrado e precisa de
ser reequilibrado”, considerou.
Depois, dirigiu-se diretamente a Cavaco Silva: “Continue a incomodar todos aqueles que ficam nervosos mesmo antes de o ouvirem”.
“É sinal que continua com força e essa é a melhor forma de
comemorarmos para o ano os 50 anos do 25 de Abril, que é de todos os que querem
viver em democracia e em liberdade”, acrescentou.
Fonte: Sapo 24, 15 de setembro de 2023
Cavaquismo é sinónimo de BPN, de enriquecer com a política. Os mais conhecidos, Oliveira e Costa, Duarte Lima, Dias Loureiro…









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