Metsola quer negociações de adesão da Ucrânia e Moldova à UE iniciadas até ao final do ano
“Em vez de nos centrarmos na data (…) — e é bom que
exista uma data em cima da mesa –, vamos concentrar-nos na esperança de
iniciar as negociações de adesão até ao final deste ano”, disse Roberta Metsola
numa entrevista à Agência Lusa e outras agências de notícias europeias em
Bruxelas, numa altura em que se aponta 2030 como a possível data para a
entrada da Ucrânia na UE.
Nesta entrevista a propósito do projeto European Newsroom
(Redação Europeia), do qual a Lusa é membro observador, a líder da assembleia
europeia insistiu que “se a Ucrânia e a Moldova estiverem prontas, as
negociações de adesão devem poder ser iniciadas de forma progressiva”.
“As negociações de adesão deveriam poder ser iniciadas e
progressivas [porque] cada país tem o seu próprio caminho, mas não desiludamos os milhões de pessoas que olham para a Europa
como a sua casa”, apelou.
O tema do alargamento estará em cima da mesa na terceira
cimeira da Comunidade Política Europeia, que se realiza na cidade espanhola de
Granada na quinta-feira da próxima semana. No dia seguinte, decorre um Conselho
Europeu informal, realizado em Espanha no âmbito da presidência espanhola do
Conselho da UE, também dedicado à extensão do bloco comunitário.
“Aguardo com expectativa as discussões”, observou Roberta
Metsola.
“Posso dizer, com base na minha experiência de país
candidato, que é preciso dar passos e que se estamos a avançar rapidamente
porque as recomendações que nos são feitas estão a ser atendidas, então temos
de estar prontos para dar o próximo passo e, portanto, se a Ucrânia e a Moldova
estiverem prontas, então as negociações de adesão devem ser concluídas”, vincou
ainda a responsável.
Para a abertura das negociações formais de adesão é
necessário o acordo de todos os Estados-membros da UE, sendo que tal processo
visa preparar um país candidato em termos de adaptação à legislação e de
aplicação das necessárias reformas judiciais, administrativas e económicas.
O primeiro-ministro português, António Costa, tem
vindo a alertar para o desafio que o alargamento da UE representa para o clube
comunitário, pedindo que se evite “a frustração das expectativas da Ucrânia”.
Em meados de 2022, os Estados-membros da UE adotaram uma
decisão histórica de conceder o estatuto de candidatos à Ucrânia e Moldova,
que se juntaram a um grupo alargado de países, alguns dos quais há muito na
‘fila de espera’ para entrar no bloco europeu, sem quaisquer progressos nos
últimos anos.
Esta lista é agora composta por Montenegro, Sérvia,
Turquia, Macedónia do Norte, Albânia, Ucrânia, Moldova
e Bósnia-Herzegovina.
O alargamento é o processo pelo qual os Estados aderem à UE,
depois de preencherem requisitos ao nível político e económico.
Qualquer Estado europeu que respeite os valores
democráticos comunitários e esteja empenhado em promovê-los pode
candidatar-se à adesão à UE, mas deve para isso submeter-se a um processo de
negociações formais (que só tem aval por unanimidade entre os atuais
Estados-membros), seguido pela aplicação das necessárias reformas judiciais,
administrativas e económicas.
O Conselho, na sua formação dos Assuntos Gerais, estabelece
e supervisiona o processo de alargamento da UE e as negociações de adesão,
funcionando por unanimidade.
Fonte: Sapo 24, 27 de setembro de 2023
Uma boa ideia. É pena que em política, os decisores não sejam responsabilizados e punidos pelas consequências futuras das suas ações mal pensadas. Essa carga é atirada para o eleitor, que os elegeu, e o político goza a sua reforma dourada numa instância balnear ou numa casa de repouso de luxo. Roberta Metsola, em 2040, não estará disponível para repetir estas declarações diante de um tribunal.

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