Professor universitário julgado por espalhar “fake news” sobre Pacheco Pereira
Little Monsters (2019) - Lupita Nyong'o
João Lemos Esteves escreveu artigo a afirmar que historiador
estaria ao serviço e recebia “luxos e privilégios” da embaixada do Irão.
Pacheco Pereira processou-o por calúnia. Julgamento começa esta terça-feira em
Rio Maior. Donald Trump, ex-diretor da CIA e Marcelo Rebelo de Sousa entre as
testemunhas arroladas.
“Pacheco Pereira, o Ayatollinho que apela ao
antissemitismo (what a nasty man).” Este foi o título do polémico artigo
publicado em janeiro de 2021, no jornal “Sol”. No texto, João Lemos Esteves,
jurista e então professor assistente na Faculdade de Direito da Universidade de
Lisboa, lançava uma série de insinuações e acusações a Pacheco Pereira que,
segundo o cronista, seria “uma espécie de consultor especial de embaixador
do Irão em Portugal”.
Entre
outras supostas “verdades”, Lemos Esteves garantia que Pacheco Pereira
pertencia a uma entidade que prestava consultadoria comunicacional e lobby à
Embaixada do Irão, sendo presença assídua nas festas daquela entidade.
Mais, acusava-o mesmo de “um potencial envolvimento com o Movimento BDS e
organizações terroristas”. Em troca, o historiador receberia “luxos e
privilégios”, como viagens de luxo a Teerão.
Artigo retirado mas sem desmentido
De imediato Pacheco Pereira enviou um texto ao jornal
exigindo um pedido de desculpas e um desmentido. O "Sol" retirou o
artigo da Internet e publicou uma nota de João Lemos Esteves em que este
alegava o exercício da liberdade
de expressão, mas adiantava que, caso Pacheco Pereira tivesse
considerado que “algumas palavras foram mais duras”, pedia desculpa por tal
facto, tendo já solicitado a eliminação do artigo.
A nota, sem desmentido, não satisfez o historiador. Em abril
de 2021 revelou ao Público que iria entregar uma queixa-crime no Departamento
de Investigação e Ação Penal de Lisboa contra o cronista. Pacheco Pereira
explicou que, mais do que “ideias ou convicções, mesmo que insultuosas ou
insidiosas”, estávamos no domínio de “inventar 'factos' para difamar, “usando
os expedientes da Internet e a complacência de um jornal como livre-trânsito
para a calúnia”.
“Primeiro julgamento de uma fábrica de fake-news”
Esta terça-feira o caso começa a ser julgado no tribunal de
Rio Maior. “É o primeiro julgamento de uma 'fábrica' de fake news e dos seus
mecanismos de circulação”, afirmou o historiador ao Público.
Segundo Sofia Castro Caldeira, advogada de Pacheco Pereira,
citada por aquele jornal, João Lemos Esteves está ligado a sites, que se
apresentam como noticiosos, mas que funcionam como “caixas de ressonância” uns
dos outros e de textos do próprio Lemos Esteves. Estes sites anónimos estão
constantemente a mudar de endereço, com artigos assinados por testas de ferro e
autores falsos de modo a impedir a defesa dos visados e a responsabilização dos
criadores das “fake news”, apontou a causídica.
Donald Trump arrolado como testemunha
Na contestação à acusação, a defesa de João Lemos Esteves
argumentou que o artigo resulta do exercício da liberdade de expressão e que
“corresponde à verdade”. Porém, segundo o “Público”, o cronista explica que
só quis “contar o que ouviu dizer” e que tomou a informação como verdadeira
por ter um “fundamento sério”.
De entre as 20 testemunhas
arroladas pela defesa de Lemos Esteves estão
Donald Trump,
ex-presidente dos EUA, Michael
Pompeo, ex-diretor
da CIA, o ayatollah
Reza Ramezani, o embaixador
do Irão em Portugal e ainda Marcelo Rebelo de Sousa, Pedro Santana Lopes, Alexandre Guerreiro e Boaventura de Sousa Santos.
Fonte: Jornal de Notícias, 12 de setembro de 2023
Julgamento por fake news: Lemos Esteves admite que
inventou e indemniza Pacheco Pereira
“O pedido de desculpa é o mínimo”, disse historiador em
tribunal. “Isto não é mais do que a afirmação da falsidade do que escreveu.”
Antigo professor vai pagar dez mil euros a Pacheco Pereira.
Julgamento por fake news: Lemos Esteves admite que inventou
e indemniza Pacheco Pereira
O historiador José Pacheco Pereira aceitou esta manhã, no
tribunal de Rio Maior, desistir do julgamento por calúnia contra João Lemos
Esteves, depois de o ex-professor de Direito admitir que inventou o que
escreveu no jornal Sol.
Fonte: Público, 12 de setembro de 2023
Pacheco, com azar no publicado, sorte nos tribunais.
O caso de difamação que envolveu José Pacheco Pereira e Miguel Esteves Cardoso ocorreu em 2006, quando a revista "K" publicou um artigo escrito por Miguel Esteves Cardoso que insinuava a existência de uma relação homossexual entre Pacheco Pereira e Carmona Rodrigues.
Em 2010, o Tribunal da Relação de Lisboa condenou Miguel Esteves Cardoso e o editor da revista "K", António Esteves Martins, a pagar uma indemnização de 50 mil euros a José Pacheco Pereira por violação do direito à honra e à reserva da vida privada.



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