Charles Michel: Revisão do orçamento da UE é "tarefa urgente" para apoiar a Ucrânia
The
Punisher (1989) - Louis Gossett Jr.
O presidente do Conselho Europeu classifica a revisão do
orçamento comunitário plurianual como uma "tarefa urgente", prevendo
50 mil milhões para reconstrução da Ucrânia, e considera que a UE tem de
"fazer a sua parte" ao apoiar Kiev.
“A curto prazo, precisamos de resolver a revisão
intercalar do Quadro Plurianual. Esta é uma tarefa urgente que temos em
cima da mesa, […] mas estamos a trabalhar discretamente e espero que
consigamos, de forma eficiente, construir alguns compromissos para algum
consenso sobre este importante tema”, afirmou Charles Michel, numa entrevista à
agência Lusa e outros meios europeus em Bruxelas.
Dias antes de um Conselho Europeu informal realizado,
na sexta-feira, em Granada pela presidência espanhola da União Europeia (UE) e focado
no apoio comunitário à Ucrânia e na questão orçamental, o responsável salientou
que o bloco tem de “fazer a sua parte”.
Isto dois dias depois a Ucrânia ter anunciado que está a
analisar com a Casa Branca a situação criada pelo Congresso norte-americano
que, para evitar a paralisação do Governo, aprovou uma lei de financiamento
temporário que não inclui novas ajudas a Kiev.
“Penso que é muito importante fazermos a nossa parte e o
nosso trabalho e é isso que estamos a fazer. A revisão do Quadro Financeiro
Plurianual é a ocasião para mostrarmos claramente que apoiamos o mecanismo para
a Ucrânia. […] Esta deve ser uma prioridade […]
para deixar claro que apoiamos a Ucrânia a longo prazo”, salientou Charles
Michel, quando questionado pela Lusa nesta entrevista.
O assunto deverá também ser abordado na cimeira europeia de
outubro, mas as discussões mais intensas deverão acontecer em dezembro.
Recordando
as negociações de quatro dias e quatro noites sobre o orçamento da UE a
longo prazo para 2021-2027 em julho de 2020, quando se aprovou um plano de
recuperação assente numa emissão de dívida conjunta inédita, Charles Michel
comparou: “Fizemo-lo e foi um sinal muito importante […] e talvez agora seja
necessário ter mais de quatro dias e quatro noites, talvez cinco ou seis dias”.
De
acordo com fontes europeias, a parte mais difícil nas negociações orçamentais
não é referente ao apoio a Kiev, que gera consenso entre os 27, mas sim sobre
as outras prioridades europeias e como as financiar.
“Em todo o caso será necessário apoiar – e nós apoiaremos –
a reconstrução da Ucrânia, o que será dispendioso não só para a UE, mas também
para os parceiros”, concluiu Michel.
As declarações surgem um dia depois de o Parlamento Europeu
ter aprovado a sua posição sobre a reforma do orçamento plurianual da União, revendo
em alta em 10 mil milhões de euros a proposta de alteração apresentada em junho
passado pela Comissão Europeia.
Desde então, a UE está a discutir a revisão do orçamento
para o período 2024-2027, após uma proposta de reserva de 50 mil milhões de
euros de apoio à recuperação da Ucrânia, 15 mil milhões para gestão das
migrações e 10 mil milhões no âmbito da plataforma STEP para investimentos
‘verdes’ e tecnológicos, num passo para um futuro fundo soberano.
Para a Ucrânia, está prevista uma reserva financeira para os
próximos quatro anos, com empréstimos e subvenções para reconstrução do país
pós-guerra, montante que será mobilizado consoante a situação no terreno.
Em causa está uma revisão do
Quadro Financeiro Plurianual, até 2027, que juntamente com o Fundo de
Recuperação ascende de momento a 2,018 biliões de euros a preços correntes (1,8
biliões de euros a preços de 2018).
Fonte: Sapo 24, 3 de outubro de 2023

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