Eslováquia quer evitar uma Terceira Guerra Mundial. E para isso tem propostas polémicas para Ucrânia e Rússia
Alfred
Hitchcock Presents / Total Loss - Dave Willock
A Ucrânia rejeitou as sugestões do novo primeiro-ministro da
Eslováquia, Robert Fico, de que terá de ceder território à Rússia para pôr fim
à guerra.
"Não pode haver qualquer compromisso sobre a
integridade territorial, nem para a Ucrânia, nem para a Eslováquia, nem para
qualquer outro país", escreveu o porta-voz do Ministério dos Negócios
Estrangeiros, Oleh Nikolenko, no Facebook.
"Sejamos honestos: se a Ucrânia não estiver segura,
não haverá segurança, nem na Eslováquia nem na Europa em geral."
Numa entrevista à rádio eslovaca, no fim de semana, Fico
desafiou diretamente essa ideia e a posição central da maioria dos seus
parceiros na União Europeia.
Falando poucos dias antes de uma visita programada à
Ucrânia, Fico disse à emissora pública que tanto Kiev como Moscovo teriam de
fazer compromissos dolorosos para pôr fim à guerra. Para a Ucrânia, isso
significa aceitar pelo menos alguns dos ganhos da Rússia.
"O que é que eles estão à espera? Que a Rússia abandone Donetsk e Lugansk? Ou que abandone a Crimeia? Não, isso é completamente irrealista. Toda a gente sabe isso", continuou Fico.
Donetsk e Lugansk são territórios no leste da Ucrânia, que
em conjunto foram o Donbass, sendo regiões nas quais a Rússia ganhou controlo
em 2014 e a partir dos quais tem expandido os seus ganhos territoriais desde
que lançou a invasão em grande escala em 2022. A Crimeia também foi capturada e
anexada em 2014.
Visto como uma figura pró-Kremlin, Fico venceu as
eleições em outubro, tendo-se candidatado com a promessa de que iria bloquear
mais apoio militar à Ucrânia - que, segundo disse ao entrevistador da rádio, estava
sob o "controlo total dos Estados Unidos" desde 2014, quando os
ucranianos derrubaram o presidente pró-Moscovo, Viktor Yanukovich.
Na União Europeia, está estreitamente ligado ao húngaro
Viktor Órban e tem sido muito aberto quanto às suas intenções de bloquear a
candidatura da Ucrânia à adesão à UE e à NATO. Esta mensagem será repetida
quando se encontrar com o homólogo ucraniano, Denys Shmyhal, na cidade
fronteiriça de Uzhhorod.
"Vou dizer-lhe que sou completamente contra a adesão
da Ucrânia à NATO e que a vetarei, porque a única coisa a que isso conduziria
seria a uma Terceira Guerra Mundial".
Invertendo a política do seu antecessor, que viu a Ucrânia
receber um sistema de defesa aérea e caças da Eslováquia, bem como outras
ajudas militares, Fico também prometeu dizer ao seu anfitrião ucraniano que
"não vai receber quaisquer armas do exército eslovaco" ou dos
"stocks estatais da Eslováquia".
Em vez disso, Fico disse que levaria uma "oferta de
ajuda humanitária".
O gabinete de Shmyhal não respondeu a um pedido de
informação da CNN sobre se a visita ainda se vai realizar.
Na segunda-feira, o novo primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, levou uma
mensagem muito diferente à Ucrânia, ao encontrar-se com o presidente
ucraniano, Volodymyr Zelensky, em Kiev.
Os dois líderes discutiram uma possível produção conjunta
de armas, bem como aquilo a que Zelensky se referiu numa declaração do seu
gabinete como "uma nova forma da nossa cooperação - destinada a uma maior
escala de compras de armas para as necessidades ucranianas", embora não
tenham sido dados mais pormenores.
Tusk disse ao seu anfitrião que a Polónia tentará ajudar a
Ucrânia a aderir à UE, "para que a plena adesão da Ucrânia à União
Europeia se torne um facto o mais rapidamente possível".
Os dois homens mostraram-se igualmente confiantes na
possibilidade de encontrar soluções duradouras para os diferendos sobre as
exportações de cereais ucranianas e o acesso à União Europeia dos camionistas
ucranianos, que levaram a bloqueios durante várias semanas nos postos
fronteiriços entre os dois países.
Fonte: TVI Notícias, 23 de janeiro de 2024

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