Governo de Milei proíbe linguagem inclusiva nas Forças Armadas argentinas
Instinct -
Alan Cumming, Daniel Ings
O
governo do presidente Javier Milei proibiu a linguagem inclusiva nas Forças
Armadas argentinas e em todos os órgãos do Ministério da Defesa, de acordo com
uma resolução publicada nesta segunda-feira, embora o uso de termos como
"soldada" e "generala" fosse discricionário.
"Proíbe-se a utilização da chamada 'linguagem
inclusiva' no âmbito do Ministério da Defesa, das Forças Armadas e dos órgãos
descentralizados do ministério", diz o texto firmado na sexta-feira pelo
ministro Luis Petri e publicado esta segunda-feira no site da Presidência.
Assim, não serão permitidas fórmulas como "sargenta"
e "caba". Também estão proibidas desde a sexta-feira
estruturas para se referir a identidades não binárias, como
"soldadxs" ou "soldades".
"Deverá ser utilizado o idioma castelhano,
conforme a normativa e regulamentação que rege cada área respetiva, sob os
termos e regras estabelecidas pela Real Academia Espanhola (RAE) e os
regulamentos e manuais vigentes nas Forças Armadas", diz a resolução.
"Qualquer
desvio ou desnaturalização do castelhano que não esteja padronizado ou
reconhecido por um marco legal correspondente, pode induzir a interpretar
equivocadamente o que se deseja dispor ou ordenar, afetando a sua execução",
detalha o texto.
A linguagem inclusiva não era objeto de uma norma explícita,
mas, num documento de 2020 do governo anterior, o então ministro Agustín
Rossi assegurou que a sua pasta continuaria "a acompanhar as mudanças
culturais nas relações de género que foram forjadas através de anos de
compromisso das mulheres".
Na publicação do Ministério da Defesa, intitulada
"Mulheres Argentinas", Rossi escreveu que esperava que "a perspetiva
de género [fosse] transversal a toda a instituição", embora o texto
apelasse para que isso não fosse o resultado de uma "imposição", uma
vez que as mulheres, "em termos gerais, não concordam com a feminização
das denominações".
Sendo a prática discricionária, um major-general fez as manchetes em 2022 quando
se dirigiu a "soldados e soldadas".
Milei, que se autointitula um "libertário
anarcocapitalista", nunca escondeu a sua oposição à linguagem inclusiva e
ao que ele chama de "ideologia de género". De acordo com o
presidente, isso faz parte da "doutrinação" do "marxismo
cultural", um suposto movimento para reverter a ordem social no Ocidente.
Fonte: Sapo 24, 27 de fevereiro de 2024


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