Extrema-direita separatista lidera intenções de voto na Bélgica
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O Vlaams Belang tem 23,5% dos eleitores na Flandres, a parte
norte do país, de língua neerlandesa, mais rica e mais populosa do que a
Valónia (francófona, no sul), de acordo com um inquérito da IPSOS para a
Euronews. O partido tem um objetivo
claro: fazer da Flandres um Estado independente.
"A Flandres é a potência demográfica, política,
financeira e económica da Bélgica. O problema é que só temos 50% do poder
político e há uma transferência financeira da região, de direita, da Flandres
para a região, de esquerda, da Valónia, onde falam francês e que é próxima da
França. Estamos fartos de pagar as suas contas", disse Tom
Vandendriessche, eurodeputado eleito pelo Vlaams Belang, partido que pertence à
bancada Identidade e Democracia no Parlamento Europeu, em declarações à
Euronews.
O sucesso de Vlaams Belang enquadra-se no aumento do populismo e do extremismo por toda a Europa,
mas as razões de natureza económica são há muito invocadas.
“Muitos flamengos consideram que estão a ser prejudicados
pela Valónia, a parte sul do país, e que fariam melhor se fossem independentes.
É o mesmo fenómeno que vimos com o Brexit, por exemplo", refere François
Gemenne, politólogo da HEC Paris.
A separação
"negociada"
A estratégia do Vlaams Belang é aliar-se ao partido
conservador flamengo Nova Aliança Flamenga (NVA), após as eleições. Juntos,
poderiam alcançar a maioria dos assentos no Parlamento Flamengo e,
eventualmente, declarar a Flandres como um Estado soberano.
Algo que poderia ser feito de forma negociada e ordenada com
o governo da Valónia, alegam.
No entanto, as pessoas na cidade flamenga de Mechelen
entrevistadas pela Euronews não parecem concordar.
"Na verdade, sinto-me belga. O nosso país já é bastante
pequeno, por isso seria uma pena dividi-lo", disse Sandrine,
funcionária. "Acho que não está bem
porque a Bélgica já é um país pequeno. Não quero que seja muito menor",
afirmou o estudante Jordy. A estudante Emily disse que prefere "continuar
na Bélgica, como está agora".
O Vlaams Belang afirma que o eventual novo país continuaria
a ser membro da União Europeia e da NATO. Contudo, outra das suas ambições é
transformar a UE numa organização de cooperação económica entre nações
soberanas, sem qualquer integração federalista.
Fonte: Euronews, 28 de março de 2024

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