Nuno Melo, o novo ministro da Defesa: antigo Polícia Militar, colecionador de armas, deputado “brigão”
Day of the
Dead - Morgan Holmstrom, Miranda Frigon
O líder do CDS apanha um momento crítico na Defesa Nacional,
com problemas que não se resolvem por decreto de um dia para o outro: é
impossível reverter a sangria das fileiras sem tempo e medidas caras, conter a
desmotivação e garantir que os
militares não ficam atrás das forças de segurança na atribuição de subsídios de
risco. Será sempre comparado com Paulo Portas, 20 anos depois.
Nuno Melo tem um conjunto de características que, à partida,
podem agradar aos militares: cumpriu
o Serviço Militar Obrigatório e foi comandante de pelotão, deu instrução
como alferes e exerceu como
Polícia Militar, sabe
manejar vários tipos de armas - aliás, coleciona armas de caça e armas antigas - é líder de um
partido e tem esse peso político (apesar de não ser ministro de Estado e de o
CDS ser hoje mais júnior do que no tempo de Paulo Portas, depois de ter
recuperado dois deputados na barriga de aluguer do PSD).
No campo
da linguagem, não terá de se adaptar para compreender e falar o jargão militar.
Tem larga experiência internacional no plano europeu, foi eurodeputado durante
15 anos, e poderá ter a sensibilidade para tentar convencer o primeiro-ministro
a atingir mais cedo os 2% de investimento em Defesa comprometidos com a NATO e
que o Governo de António Costa adiou deste ano para 2030. Em tempo de guerra na
Europa, essa será uma das questões a avaliar, uma vez que Luís Montenegro não
se comprometeu em acelerar os novos prazos na campanha eleitoral.
Fonte: Expresso, 28 de março de 2024

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