Eslovacos querem comprar munições após Governo suspender ajuda a Kiev

Lena Paul

Os promotores de uma campanha na Eslováquia para comprar munições para a Ucrânia anunciaram hoje que pretendem juntar um milhão de euros, rejeitando a recusa do Governo em enviar ajuda militar ao país vizinho.

Milhares de pessoas já contribuíram com 575 mil euros para a campanha de ‘crowdfunding’ desde segunda-feira, altura em que o grupo “Paz para a Ucrânia” lançou a iniciativa.

Desde que chegou ao poder em 2023, o primeiro-ministro Robert Fico pôs fim à ajuda militar a Kiev e apelou para conversações de paz entre a Ucrânia e a Rússia.

“Nós, o povo da Eslováquia, queremos e podemos ajudar” a Ucrânia, disse uma representante da iniciativa, Zuzana Izsakova, à agência francesa AFP.

“Queremos mostrar que não é apenas o Governo e Robert Fico que decidem esta questão”, afirmou.

A organização planeia transferir o dinheiro angariado para um projeto internacional liderado pela República Checa para comprar munições para Kiev.

O primeiro-ministro checo, Petr Fiala, disse na terça-feira que 20 países já se tinham comprometido a financiar a compra de 500 mil cartuchos fora da Europa.

O Governo eslovaco não aderiu ao projeto checo.

Marian Kulich, outro representante da “Paz para a Ucrânia”, explicou que a iniciativa popular nasceu do desacordo com as posições do Governo sobre a Ucrânia.

“Estamos convencidos de que muitas pessoas na Eslováquia não se identificam com a rejeição do projeto do Governo checo”, afirmou Kulich.

De acordo com Izsakova, o grupo quer igualar o milhão de euros oferecido pelo Governo da Eslovénia no mês passado.

Um apoiante notável da campanha eslovaca é Otto Simko, um sobrevivente do Holocausto que acredita que a sua própria experiência de guerra pode ser aplicada à situação na Ucrânia.

O antigo jornalista de 99 anos participou na Revolta Nacional Eslovaca de 1942, uma tentativa de resistência às tropas alemãs durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

“Lutámos contra o agressor, o ocupante alemão (...). Era impossível negociar com eles, tinham de ser derrotados”, afirmou Simko num vídeo de apoio à campanha.

Se eu puder doar apenas 20 euros para comprar uma única bala, saberei que a bala está em boas mãos”, acrescentou.

Fonte: CNN Portugal, 17 de abril de 2024 

Antes da invenção da escrita, os velhos eram os recetáculos do saber, dos conhecimentos acumulados pelas gerações, que impedia a nova geração de começar do zero, depois, com a escrita, as experiências passadas ficam registadas, e os velhos não passam de velhos e a sua “sabedoria”, uma inutilidade.

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