Paulo Portas. Passos Coelho via na "troika" um "bem virtuoso" e eu um "mal necessário"
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"Às vezes Passos Coelho achava ou dava a entender que
achava a `troika` um bem virtuoso, eu achava a `troika` um mal
necessário", afirmou Paulo Portas no seu espaço de comentário televisivo
na TVI, respondendo às declarações do então primeiro-ministro e parceiro de
coligação governamental durante o período em que Portugal esteve sobre
intervenção da União Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário
Internacional.
Na semana passada, em entrevista ao `podcast` "Eu
estive lá", da rádio Observador, o antigo presidente do PSD, em conversa
com a jornalista Maria João Avillez, revelou que durante o seu governo com o
CDS-PP, a `troika` sinalizou
"a partir de certa altura" que havia um problema de confiança em
relação ao parceiro de coligação e ministro de Estado e dos Negócios
Estrangeiros, Paulo Portas, e "passou a exigir cartas assinadas" por ele.
"Julgo que ele não sabe isto: para impedir uma
humilhação do ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, obriguei o
ministro das Finanças a assinar comigo e com ele a carta para as instituições.
Assinámos os três. A ´troika´` exigia uma carta só dele. Porque não confiava
nele", contou Passos Coelho.
Afirmando que "quem não se sente, não é filho de boa
gente", Paulo Portas considerou que os comentários do ex-primeiro-ministro
"não foram apropriados, nem justos", mas recusou "usar conversas
privadas entre líderes políticos" e entrar "em polémica pessoal"
com Passos Coelho.
"Estamos em 2024, acabou de chegar um Governo de
centro-direita, não vejo qual seria a utilidade de contribuir para essa
polémica", comentou.
Fonte: RTP, 21 de abril de 2024
Nessa época, Ana Gomes sugeriu sub-repticiamente que, o facto de Paulo Portas tocar na banda varonil, expunha-o a ser vítima de chantagem por parte de serviços estrangeiros.
Ana Gomes questiona «idoneidade» de Portas
Eurodeputada do PS defende que líder do CDS não deve ir para o futuro Governo
A eurodeputada Ana Gomes defendeu esta terça-feira em Estrasburgo a exclusão do líder do CDS-PP do próximo Governo, afirmando que está em causa a «idoneidade pessoal e política» de Paulo Portas, e fez um paralelo com o sucedido a Dominique Strauss Kahn, escreve a Lusa.
«Penso que está em causa não obviamente a legitimidade política do seu partido, CDS-PP, como resultou das eleições, em governar, em integrar a coligação governamental, mas do dr. Paulo Portas pessoalmente, por a sua idoneidade pessoal e política estarem em causa em face do seu comportamento em anteriores responsabilidades governamentais», disse, apontando «o caso dos submarinos e outros casos».
Falando em Estrasburgo à margem da sessão plenária do Parlamento Europeu, a eurodeputada socialista, quando confrontada com o facto de Paulo Portas nunca ter sido condenado judicialmente e não haver assim nada que o iniba de integrar o futuro Governo, respondeu que «também não havia nada que inibisse o senhor Dominique Strauss Kahn de ser diretor do FMI».
«E, no entanto, toda a gente sabia que o senhor Dominique Strauss Kahn tinha comportamentos pessoais altamente reprováveis, que tinham repercussões na sua vida política e profissional, e que poderiam ser comprometedores para o seu pais, que hoje passa por uma tremenda humilhação», afirmou.
Ana Gomes considerou ainda mais preocupante a possibilidade de Portas vir a assumir a chefia da diplomacia portuguesa no futuro Governo PSD/CDS-PP, justificando que «os ministros dos Negócios Estrangeiros são particularmente vulneráveis à atuação de serviços secretos estrangeiros e de governos estrangeiros, com chantagens de todo o tipo».
«É uma posição particularmente vulnerável quando há aspetos questionáveis de comportamento pessoal ou político, e naturalmente isso deve ser levado em conta», acrescentou.
Ana Gomes disse que estas questões não devem por isso ser ignoradas «por quem decide politicamente ao formar uma coligação governamental que se pretende que seja estável e inquestionável».
A eurodeputada disse estar preparada para «enfrentas as consequências» das suas declarações, mas disse sentir ser seu «dever de cidadania dizer aquilo que muitos sabem e calam».
Contactado pela Lusa, o CDS-PP escusou-se a fazer, para já, qualquer comentário a estas declarações.
Fonte: CNN Portugal, 7 de junho de 2011

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