Reino Unido em negociações com Angola e Cabo Verde para acolher imigrantes ilegais
A proposta de lei do Governo britânico para deportar
imigrantes ilegais para o Ruanda volta nesta segunda-feira, 15 de outubro, à
Câmara dos Comuns para nova série de debates e votações a emendas aprovadas na
Câmara dos Lordes. De acordo com os órgãos de comunicação The Times e a BBC,
o executivo está em negociações com outros países, nomeadamente Angola e Cabo
Verde estão na lista de opções.
Angola e Cabo Verde estarão numa lista de países que o
Governo britânico admite abordar para receberem imigrantes ilegais do Reino
Unido, tal como negociou com o Ruanda. A informação, não oficial, é
avançada pelo jornal The Times e confirmada pela BBC.
Segundo o diário britânico, Londres está atualmente a
negociar com Costa do Marfim,
Botsuana, Costa Rica e Arménia para repetir o mesmo tipo de acordo que fez com o Ruanda.
As
autoridades ruandesas aceitaram receber centenas de requerentes de asilo nos
próximos cinco anos em troca de cerca de 400 milhões de libras, quase 500
milhões de libras.
O Ruanda apresenta-se como um dos países mais estáveis do
continente africano, mas vários grupos de direitos humanos acusam o presidente Paul Kagame de governar num clima de
medo, sufocando a dissidência e a liberdade de expressão.
O Governo britânico estará também a explorar outras opções,
e Angola e Cabo Verde estão nesta lista, juntamente com Senegal, Tanzânia,
Togo e Serra Leoa.
A falta de meios e estruturas locais, escassas relações
diplomáticas e potencial oposição da opinião pública são alguns obstáculos
identificados. A Guiné-Bissau foi rejeitada devido à instabilidade política.
Marrocos, Tunísia, Namíbia e a Gâmbia terão rejeitado explicitamente
negociações sobre esta matéria.
O primeiro-ministro britânico, Rishi Sunak, considera esta
proposta de lei essencial para dissuadir migrantes que atravessam o Canal da
Mancha em pequenas embarcações como barcos insufláveis. No primeiro trimestre
de 2024 o número de migrantes ilegais que entraram no país aumentou 41,7% em
relação ao primeiro trimestre de 2023, atingindo um nível recorde.
Fonte: RFI, 15 de abril de 2024

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