Talibãs destroem mais de 21 mil instrumentos musicais para “prevenir o vício”
Alfred
Hitchcock Presents / Strange Miracle - Miriam Colon
Os
talibãs destruíram mais de 21 mil instrumentos musicais e dezenas de milhares
de CD com “filmes imorais” durante o último ano, comunicou o Ministério para a
Propagação da Virtude e Prevenção do Vício do Afeganistão. As medidas drásticas
estenderam-se a outras áreas da cultura e do lazer
Os talibãs destruíram mais de 21 mil instrumentos musicais e
dezenas de milhares de CD com "filmes imorais" durante o último ano,
comunicou esta terça-feira o Ministério para a Propagação da Virtude e
Prevenção do Vício do Afeganistão.
A revelação foi feita por um porta-voz daquele gabinete, que
disse, à margem de um evento, que foram destruídos 21 328 instrumentos musicais
como parte de uma campanha contra a música, que os talibãs consideram ser
contra a sua interpretação rígida da lei islâmica.
Mais de 30 mil CD com filmes "imorais" foram
também destruídos, acrescentou o Xeque Muhibullah Mukhlis, e foram suspensos 25
mil trabalhadores do setor de comunicações por distribuírem "filmes
vulgares".
Esta campanha "contra o vício" no Afeganistão, que
levou os talibãs a ordenar a decapitação de manequins, entre outras medidas,
incluiu também a 'visita' a dezenas de milhares de restaurantes, salões de
casamentos e hotéis para assegurar que não é reproduzida música nas suas salas.
Os músicos afegãos utilizavam regularmente instrumentos como
o timbale, a guitarra ou o rabab (semelhante ao alaúde) para animar casamentos
e programas musicais, até serem proibidos com a chegada ao poder dos talibãs,
em agosto de 2021.
A interpretação rígida da lei islâmica pelos talibãs também
impôs limites à liberdade das mulheres no Afeganistão, onde não têm acesso ao
ensino superior e, entre outras limitações, têm restrições de circulação e de
acesso ao trabalho.
Já durante o anterior regime talibã, que durou entre 1996 e
2001, os fundamentalistas proibiram a música e impuseram castigos severos a
quem exercesse a profissão de músico, o que provocou a fuga de muitos artistas
profissionais.
Fonte: Expresso, 21 de agosto de 2024

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