Vaticano denuncia ofensa a cristãos na cerimónia de abertura dos JO de Paris
Carry on
Henry (1971) - Terry Scott
O Vaticano mostrou-se hoje entristecido por algumas cenas da
cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Paris, associando-se aos que
lamentaram a ofensa causada a cristãos e crentes de outras religiões.
O Vaticano argumentou que “num evento de prestígio em que o
mundo inteiro se reúne para partilhar valores comuns, não deveria haver alusões
ridículas à religião”, referindo-se a algumas cenas da cerimónia em que a Última
Ceia parecia ser representada de forma parodiada.
[O segmento "Festivité" da cerimónia continha uma cena de drag queens dispostas em fila ao longo de uma passarela, que Jolly afirmou representar "uma festa pagã ligada aos deuses do Olimpo".
No entanto, a cena foi amplamente interpretada como uma recriação do fresco de Leonardo da Vinci A Última Ceia, que retrata Jesus e os Doze Apóstolos, e por isso foi criticada em todo o mundo por políticos conservadores, cristãos e muçulmanos como blasfémia. A presença de uma criança na cena também foi alvo de críticas.
Fonte: Wikipédia
Leonardo da Vinci não esteve presente na última ceia para a retratar. O seu trabalho representa um episódio bíblico concebido para um refeitório, o da igreja Santa Maria delle Grazie, donde a disposição particular das personagens e o cenário, que em nada se assemelhará à última ceia de Cristo. Além de se tratar de uma pintura sobrevalorizada sobre outras.
Duccio di Buoninsegna - "A Última Ceia" (1308-1311)
Localização: Museu dell'Opera del Duomo, Siena, Itália.
Giotto di Bondone - "A Última Ceia" (c. 1305)
Localização: Capela Scrovegni (Capela Arena), Pádua, Itália.
Andrea del Castagno - "A Última Ceia" (1447)
Localização: Convento di Sant'Apollonia, Florença, Itália. Uma das primeiras grandes obras renascentistas sobre o tema.
Domenico Ghirlandaio - "A Última Ceia" (1480)
Localização: Refeitório de Ognissanti, Florença, Itália.
Pietro Perugino - "A Última Ceia" (c. 1493-1496)
Localização: Convento de Fuligno, Florença, Itália.
Tintoretto - "A Última Ceia" (1592-1594)
Localização: Basílica de San Giorgio Maggiore, Veneza, Itália]
“A Santa Sé, entristecida por algumas cenas da cerimónia de
abertura dos Jogos Olímpicos de Paris, não pode deixar de se juntar às vozes
que se têm levantado nos últimos dias para lamentar a ofensa causada a muitos
cristãos e a crentes de outras religiões”, pode ler-se no comunicado.
“A liberdade de expressão, que evidentemente não é
questionada, apenas é limitada pelo respeito pelo próximo”, alega o Vaticano.
Os bispos franceses e outros membros da Igreja Católica
criticaram algumas das atuações na cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de
Paris, especificamente uma intitulada “Festa” e que parecia uma recriação do quadro de Leonardo da
Vinci sobre a Última Ceia de Jesus Cristo, em que as figuras eram
protagonizadas por ‘drag-queens’, uma modelo trans e o cantor, quase nu,
Philippe Katerine, onde se podiam ver ainda alguns atributos de Dioniso, o deus
grego do vinho e da festa.
O presidente da Turquia, o islamita Recep Tayyip
Erdogan, já tinha apelado ao Papa Francisco para que expressasse uma posição
sobre esta cena, incentivando-o a juntar-se a si e a levantar a voz contra atos
que, na sua opinião, “ridicularizam os valores morais e religiosos e atropelam
os valores humanos”.
Fonte: Lusa, 3 de agosto de 2024
Sobre o autor, cujos pais são de ascendência judaica sefardita.
Diretor da cerimónia dos Jogos Olímpicos ameaçado por identidade sexual e falsa alegação de raízes israelitas
O Ministério Público de Paris declarou na sexta-feira que a polícia abriu uma investigação sobre discurso de ódio na sequência de uma queixa apresentada pelo diretor artístico da cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos, Thomas Jolly, sobre ameaças de morte e insultos dirigidos à sua identidade sexual e "raízes israelitas erroneamente presumidas".
O Ministério Público de Paris informou em comunicado que Jolly apresentou queixa à polícia na terça-feira, quatro dias após a cerimónia de abertura, por ameaças de morte, "insultos públicos" e "difamação".
Jolly disse que tem sido "alvo de mensagens ameaçadoras e insultos nas redes sociais que criticam a sua orientação sexual e as suas raízes israelitas erradamente assumidas", refere o comunicado. O Gabinete Central de Luta contra os Crimes contra a Humanidade e os Crimes de Ódio de França foi encarregado da investigação.
A queixa de Jolly surge depois de a cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Paris ter provocado uma tempestade de indignação, incluindo comentários furiosos de Donald Trump, na sequência de uma cena controversa com drag queens e outros artistas.
Embora Jolly tenha afirmado repetidamente que não se inspirou em "A Última Ceia", os críticos interpretaram parte do espetáculo como uma zombaria da pintura de Leonardo Da Vinci que mostra Jesus Cristo e os seus apóstolos.
A presidente da Câmara de Paris, Anne Hidalgo, expressou o seu "apoio inabalável" a Jolly face às ameaças e ao assédio.
Com a sua cerimónia de abertura, "Jolly manteve os nossos valores elevados", afirmou Hidalgo numa declaração na sexta-feira. "Foi um orgulho e uma honra para Paris poder contar com o seu talento para engrandecer a nossa cidade e dizer ao mundo quem somos".
Hidalgo acrescentou: "Paris estará sempre ao lado dos artistas, da criação e, portanto, ao lado da liberdade".
Barbara Butch, uma DJ popular e ícone LGBTQ+ que atuou no espetáculo, também disse ter sofrido uma torrente de ameaças online. Butch apresentou uma queixa alegando abuso e assédio online, que a polícia também está a investigar.
Fonte: The Times of Israel, 3 de agosto de 2024








Comentários
Enviar um comentário