“Não há almoços grátis”: Cavaco Silva contra fim das portagens nas ex-SCUT e antecipa que levará a “mais impostos ou redução de despesa”
Alfred
Hitchcock Presents / The Matched Pearl - Émile Genest, Ernest Truex
“Não
quero acreditar que, numa cedência ao populismo, os partidos de esquerda tenham
aprovado a eliminação das portagens pensando que aquilo que interessava
politicamente era a popularidade da medida”, afirma o ex-chefe de Estado num
artigo de opinião publicado esta quinta-feira no jornal Público
O ex-Presidente da República Cavaco Silva criticou esta
quinta-feira os partidos de
esquerda de, por "falta de informação" sobre finanças públicas,
penalizarem sobretudo os portugueses de menores rendimentos com a aprovação do
fim das portagens nas ex-SCUT. "Não quero acreditar que, numa cedência ao
populismo, os partidos de esquerda tenham aprovado a eliminação das portagens
pensando que aquilo que interessava politicamente era a popularidade da medida,
já que as pessoas não se apercebiam da injustiça que a acompanhava. Acredito,
sim, que o fizeram por falta de informação", afirma o ex-chefe de Estado
num artigo de opinião publicado esta quinta-feira no jornal Público.
Para o também ex-primeiro ministro, "os assessores
económicos dos respetivos grupos parlamentares tinham a obrigação de saber da
existência da restrição orçamental e de para ela chamarem a atenção dos
deputados, de modo a que as suas decisões fossem mais consentâneas com a
ideologia que perfilham".
Lembrando que "não há almoços grátis", Aníbal
Cavaco Silva avisa que "a perda de receita de muitos milhões de
euros" que resulta da aprovação da eliminação das portagens em sete
autoestradas do interior e na Via do Infante, no Algarve será
"inevitavelmente acompanhada por mais impostos ou redução de despesa
pública".
Ora, salienta, "em termos líquidos --- diferença entre
ganhos e perdas --- quem fica claramente a perder é o grupo dos não
utilizadores das autoestradas em questão, onde se destacam os portugueses que não possuem veículos
motorizados".
Face a esta "conclusão óbvia de que a eliminação das
portagens é uma medida regressiva", ou seja, "são os grupos de baixos
rendimentos que proporcionalmente perdem mais", Cavaco Silva destaca que
"o seu nível de bem-estar seria maior se a medida não tivesse sido
tomada".
Para o ex-governante, é assim "surpreendente" que
a eliminação das portagens tenha sido tão "entusiasticamente
aprovada" na Assembleia da República pelos deputados dos partidos de
esquerda, "supostamente defensores dos grupos de baixos rendimentos".
"Esses partidos nem se preocuparam em fazer uso da
possibilidade de limitar a eliminação das portagens aos residentes permanentes
das regiões do interior, o que atenuaria a regressividade da medida",
nota, acrescentando que "foram ao ponto de incluírem a autoestrada do
Algarve, a Via do Infante, em que uma simples análise do número e do tipo dos
seus utilizadores evidencia o elevado grau de regressividade da medida".
Para Cavaco Silva, este caso evidencia como "para a
melhoria da qualidade das análises e das decisões políticas em matéria de
política orçamental pode ser
útil o conhecimento de alguns conceitos importantes da Teoria das Finanças
Públicas".
"Desta forma -- salienta - poderão evitar-se decisões
que aumentem a desigualdade entre os portugueses, penalizando especialmente
aqueles com mais baixos rendimentos".
O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa,
promulgou no dia 23 de julho sete decretos do parlamento sobre IRS, incluindo
redução de taxas, IVA da eletricidade e eliminação de portagens, cinco dos
quais aprovados pela oposição, com votos contra de PSD e CDS-PP.
Numa nota então publicada no sítio oficial da Presidência da
República na Internet, Marcelo Rebelo de Sousa referiu que estes diplomas
"têm em comum uma dimensão financeira com impacto nas receitas do
Estado" e "todos diplomas terão de encontrar cobertura no Orçamento
do Estado para 2025, a fim de poderem ser executados".
A medida de eliminação de portagens foi aprovada no
parlamento em junho, sendo o objetivo acabar, a partir de 01 de janeiro de
2025, com as portagens na A4 - Transmontana e Túnel do Marão, A13 e A13-1 -
Pinhal Interior, A22 - Algarve, A23 - Beira Interior, A24 - Interior Norte, A25
- Beiras Litoral e Alta e A28 -- Minho nos troços entre Esposende e Antas e
entre Neiva e Darque.
De acordo com o PS, que deu origem a esta medida aprovada no
parlamento, o impacto
orçamental é de 157 milhões de euros.
Fonte: Lusa, 5 de setembro de 2024
Os líderes seniores beneficiam mais de uma grande mulher por trás. Investido por trás, um velhinho, ao mote “espera que já almoças", dobra o cabo da boa liderança, enxuto e perspicaz. Um grande homem.
Ashzley Tolentino, 1,45 m, nascida nas Filipinas, um PPMc/P (País Produtor de Mulheres com Pénis) líder de mercado, que não desaponta homens que querem ser grandes na política, através do impulso de uma grande mulher por trás.















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