Sim, não há portugueses

Alfred Hitchcock Presents / What Frightened You, Fred? - Eve McVeagh

Somos um país de filhos únicos desde os anos 90 ou, pelo menos, desde a viragem do século. E agora essa geração de filhos únicos chega ao mercado de trabalho e, naturalmente, não consegue ocupar a maioria dos postos de trabalho

Vale a pena voltar ao tema, porque há demasiada gente em negação, e um colunista existe para apontar o dedo aos ângulos cegos da sociedade.

Quando veem todos os sítios cheios de empregados estrangeiros, muitos reagem com uma crítica implícita: " mas o que estão a fazer os portugueses para ganhar a vida?". A crítica aqui sugere que muitos portugueses, mesmo humildes e sem estudos, recusam trabalhos considerados de baixa condição. Sucede que esta discussão, que vai dar aos nem nem (nem estudam nem trabalham) é muito antiga, vem desde os anos 90. Sim, podemos criticar uma espécie de aristocratização dos pobres que se julgam demasiado finos para certos trabalhos (algo que escandaliza o velho ethos operário), mas também temos de falar da destruição cultural e económica da classe operária desde os anos 90, que foi conduzida pelas elites. O ponto aqui é que este tema não é novo e não explica a sensação de "invasão" do trabalhador estrangeiro dos últimos anos.

A explicação é outra: somos um país de filhos únicos desde os anos 90 ou, pelo menos, desde a viragem do século. E agora essa geração de filhos únicos chega ao mercado de trabalho e, naturalmente, não consegue ocupar a maioria dos postos de trabalho. Estou em Itália, um país demograficamente muito parecido e, em consequência, vemos a mesma situação: boa parte dos empregados dos restaurantes tipicamente italianos ou das lojas são do subcontinente indiano ou de África. Não há "teoria de substituição", isto não é programado por agendas esquerdistas. É a realidade mais simples e orgânica: estes imigrantes chegam para ocupar um espaço que está literal e demograficamente vazio.

Quando comecei a escrever neste jornal, há mais de 15 anos, sempre defendi políticas de família e natalidade, por um lado, e sempre salientei que havia um desprezo social pelos trabalhos ditos braçais. Por essa razão, fui apelidado de "fascista", por um lado, ou de "neoliberal", por outro. Agora é tarde. É assim nas sociedades cheias de tabus que impedem a discussão só ângulo cego.

Henrique Raposo

Fonte: Expresso, 4 de agosto de 2024

Em nenhum outro melhor encaixa o axioma, “por trás de um grande homem há sempre uma grande mulher”, que àqueles mais propensos ao trabalho intelectual, os vedores dos rumos sociais. Uma grande mulher por trás de um grande colunista, o valor acrescentado é tal, que o superlativo absoluto sintético não lhe chega nem aos calcanhares, de tão alevantado no ar ele está.  

Lyx, tcc Tippy Kitty, olhos e cabelos castanhos, nascida a 19 de julho de 1991 em Venice Beach, é uma mulher com pénis, recomendada pelo céu dos colunistas para nele entrar.











Comentários

Mensagens populares deste blogue

Eva Vlaardingerbroek