Trump insiste que imigrantes "estão a comer animais de estimação"
Father
Brown – Ruby-May Martinwood, Annie Cordoni
A história de imigrantes supostamente a comer animais de
estimação circulou nos últimos dias nos canais ligados aos republicanos e foi
repetida pelo candidato a vice-presidente de Trump, JD Vance.
O candidato presidencial republicano, Donald Trump, repetiu
no debate de terça-feira as alegações feitas em círculos republicanos de que
imigrantes ilegais estão a "comer animais de estimação" de cidadãos
norte-americanos.
"Em
Springfield, eles estão a comer cães. As pessoas que chegam estão a comer os
gatos. Eles estão a comer os animais de estimação das pessoas que vivem lá",
acusou o ex-chefe de Estado, antes de ser recordado pelo moderador do debate de que essas alegações
foram oficialmente desmentidas.
Uma porta-voz da cidade de Springfield, no Ohio, disse esta
semana que, apesar das publicações que se tornaram virais nas redes sociais e
que foram promovidas por Trump e pelos seus apoiantes, "não há relatos confiáveis ou alegações
específicas de animais de estimação a ser prejudicados, feridos ou abusados por
indivíduos dentro da comunidade imigrante".
Uma autoridade do Condado de Clark, no Ohio, citada pela
imprensa norte-americana, garantiu que "não há absolutamente nenhuma prova
de que isso esteja a acontecer".
Ao ouvir as alegações de Trump, a candidata democrata, a
vice-presidente Kamala Harris, riu e classificou Trump de "extremo".
O magnata republicano voltou a alegar que a administração de
Joe Biden e Kamala Harris permitiu que "milhões de criminosos"
entrassem no país e que isso levou a que as taxas de criminalidade "em
todo o mundo" caíssem. "Eles destruíram o tecido do nosso país",
acusou.
O político republicano afirmou ainda que os Estados Unidos
se tornarão uma "Venezuela
em esteroides" se a sua rival democrata, a vice-presidente
Kamala Harris, se tornar Presidente.
Trump aproveitou ainda para, mais uma vez, afirmar sem provas que muitos dos migrantes que
cruzam a fronteira sul vêm de países que estão a esvaziar os seus asilos e
instituições mentais.
Além da imigração - muito usada pelos republicanos para
atacar o Governo de Joe Biden - outro dos temas que marcou este debate foi o
aborto, com o magnata republicano a repetir falsamente que os democratas querem permitir abortos "tardios" no
nono mês de gravidez --- uma situação que apenas seria efetuada em caso de
emergência médica extrema.
O candidato republicano afirmou ainda falsamente que os democratas apoiam o aborto "após o
nascimento" e a "execução" de bebés, uma linha de ataque
que Trump tem usado repetidamente para retratar os democratas como radicais em
questões de direitos reprodutivos. Face às declarações do ex-presidente, a
moderadora da ABC News Linsey Davis fez uma verificação de factos em tempo real,
frisando que não há estados onde seja legal matar um bebé após o nascimento. De
acordo com o Pew Research Center, a esmagadora maioria dos abortos nos Estados
Unidos --- 93% --- acontece durante o primeiro trimestre da gravidez.
"Em nenhum lugar da América há uma mulher a levar uma
gravidez até ao fim e a pedir um aborto. Isso não acontece e é um insulto às
mulheres da América", disse a vice-presidente Kamala Harris no palco do
debate da terça-feira.
Trump tem defendido repetidamente que a política de aborto
deve ser decidida por cada estado, mas ativistas antiaborto --- que são parte
fundamental da base republicana --- têm pedido aos congressistas republicanos
que trabalhem no sentido de uma restrição nacional ao aborto.
Em 2022, o Supremo Tribunal norte-americano - composto por
uma maioria conservadora solidificada durante o Governo de Trump - revogou o
direito constitucional à interrupção da gravidez no país.
O debate histórico de terça-feira foi o primeiro entre
Donald Trump e Kamala Harris e começou com um raro aperto de mãos, iniciado
pela vice-presidente, que se apresentou pelo nome, num lembrete de que esta é a
primeira vez que os dois políticos se encontram pessoalmente. É também o
primeiro aperto de mãos num debate presidencial desde 2016.
Sediado pela rede ABC News, o debate decorreu no
National Constitution Center, em Filadélfia, e foi regido pelas mesmas regras
que foram ditadas para o histórico debate de junho entre Trump e o atual
Presidente e ex-candidato democrata, Joe Biden, que acabou por desistir da
corrida após um fraco desempenho nesse confronto.
Os jornalistas da ABC News David Muir e Linsey Davis
moderaram o debate -- o único agendado até ao momento entre Donald Trump e
Kamala Harris, pelo que poderá ser a primeira e única vez que os eleitores
verão os dois políticos num frente-a-frente antes da eleição geral.
Fonte: SIC Notícias, 12 de setembro de 2024



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