Embaixada e comunidade israelita pedem mais apoio ao governo e povo português
Will &
Grace - Eric McCormack, Debra Messing
Os
principais representantes diplomáticos e da comunidade israelita em Portugal
apelaram hoje a maior apoio do governo e do povo português, no resgate dos
reféns mantidos pelo Hamas em Gaza e combate ao antissemitismo
Numa cerimónia na sinagoga de Lisboa assinalando o 1.º
aniversário do massacre no sul de Israel perpetrado pelo Hamas, e na presença do
ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, o embaixador designado de
Israel em Portugal, Oren Rosenblat, recordou os reféns que o movimento islamita
ainda mantém em Gaza, e em
particular o luso-israelita Idan Sthivi, cuja morte foi hoje
confirmada.
"Apelo ao governo português para que atue pela
libertação de todos os reféns, incluindo cidadãos portugueses que estão sob a
responsabilidade direta do governo português", afirmou o diplomata, num
discurso em português perante representantes partidários e diplomáticos, além
da comunidade israelita.
De acordo com o Rosenblat, a mãe de Idan Sthivi veio três
vezes a Portugal e esteve com o presidente da República: "Fez tudo o que
era possível pelo filho, é muito triste".
Agradecendo ao povo e governo português o apoio prestado até
aqui, o diplomata pediu mais.
"Primeiro,
apoio espiritual. Pedimos - aqui na sinagoga - ao povo português que reze por Israel e
especialmente pelo regresso em segurança de todos os reféns. Mas também apoio
político do povo e do governo (...). Este é o momento de mostrar solidariedade com Israel, de
mostrar que não há lugar, nomeadamente em Portugal, para o
antissemitismo", disse o diplomata.
O 07 de outubro, afirmou, é "o acontecimento mais horrível da história do Estado
de Israel", com "cenas que lembram Holocausto nazi",
e foi seguido de ataques contínuos por parte dos aliados regionais do Irão - o Hezbollah a partir do
Líbano, os Houthis a partir do Iémen e outros
grupos no Iraque e Síria - apesar de não haver
"qualquer disputa territorial".
"A única disputa [com o
Irão] é que enquanto querem matar-nos, nós queremos viver",
disse Rosenblat.
Na mesma linha, David Botelho, presidente da Comunidade
Israelita de Lisboa (CIL), distinguiu
as vítimas do Hamas - de "violência pura, indiscriminada, do ódio pelo
ódio do extremismo pelo extremismo" - de outras que
"colateralmente" são feitas nos ataques israelitas contra aquele
movimento e que têm merecido condenação das Nações Unidas e apelos à restrição
mesmo por parte de alguns dos principais aliados de Telavive.
"Israel, contudo, faz um
esforço para diminuir os danos colaterais, [enquanto] o Hamas faz um esforço
para aumentar os danos", disse o presidente da CIL.
"Obviamente que o governo de Israel pode ser criticado
e ser objeto de reparos, mas as críticas e os reparos ao governo não podem em
circunstância alguma servir para desapoiar Israel, a
única democracia naquela região e que
partilha os valores do ocidente", disse Botelho.
Numa cerimónia que encheu a sinagoga Shaare Tikvah, com
diversos momentos evocativos das vítimas de 07 de outubro, o presidente da CIL deixou críticas às Nações Unidas
e ao seu secretário-geral, parafraseando a frase deste "de muito má
memória" de que o ataque do Hamas "não surgiu do vazio".
"Os labirintos
de túneis [na Faixa de Gaza] que foram e estão ainda a ser usados [pelo Hamas]
como calabouços não nasceram do vazio, alguém os pagou",
afirmou.
Botelho sugeriu "seguir o rasto dos milhões para saber
quem construiu estas infraestruturas", de forma a apurar
responsabilidades, defendendo que "o negócio do terrorismo" conta com "verbas de
Estados-membros" da ONU e de países que presidem a organismos
da mesma.
Criticou ainda o "viés tão grande e profundo" anti-israelita na ONU,
mas também de António Guterres, na semana passado declarado 'persona non grata'
por Telavive, na sequência do ataque iraniano com perto de duas centenas de
mísseis contra Israel.
"O
responsável máximo da ONU é pronto a condenar Israel e tão ligeiro a condenar
quem ataca Israel. Estes dois pesos e estas duas medidas, esta forma
tépida, tímida e descafeinada de condenar quem ataca e de responsabilizar quem
é atacado pelos ataques que sofre tem de merecer reparo de todo o mundo",
disse Rosenblat.
No final da cerimónia, o ministro dos Negócios Estrangeiros não prestou
declarações.
Falhas dos serviços secretos permitiram
o maior ataque da história de Israel e o maior massacre de judeus desde o
Holocausto, quase 1200 pessoas num único dia, e o rapto de 251 reféns, 97 dos
quais ainda em cativeiro na Faixa de Gaza, 34 deles, entretanto, declarados
mortos pelo Exército israelita.
A guerra, que hoje entrou no 367.º dia e continua a ameaçar
alastrar a toda a região do Médio Oriente, fez até agora na Faixa de Gaza mais
de 41 900 mortos (quase 2% da população),
cerca de 17 000 dos quais menores, e de 97 000 feridos, além de mais de 10 000
desaparecidos, na maioria civis, presumivelmente soterrados nos escombros, de
acordo com números atualizados das autoridades locais, que a ONU considera
fidedignos.
Fonte: Lusa, 7 de outubro de 2024
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