Bloco de Esquerda quer imposto "Elon Musk" em Portugal. Saiba o que é
Will & Grace - Eric McCormack, Sean Hayes
O BE defende a taxação de fortunas acima dos três milhões de
euros e a criação de um imposto "Elon Musk” para taxar grandes empresas de
serviços digitais, no âmbito da discussão orçamental.
Estas propostas foram apresentadas pela coordenadora do
partido, Mariana Mortágua, em conferência de imprensa, na sede nacional do BE,
em Lisboa, com o objetivo de tornar o sistema fiscal português “mais justo”.
Uma das iniciativas visa criar um imposto sobre fortunas
acima dos três milhões de euros, o “equivalente a 3500 salários mínimos
nacionais”. Para chegar a este valor é contabilizado todo o património em
causa, incluindo “imobiliário, participações financeiras ou criptoativos”.
“Não é um
imposto para a generalidade da população, é um imposto para a minoria das
minorias das minorias que detém a maioria da riqueza e que contribui para uma
economia de desigualdades. É um pequeno contributo”, salientou Mariana
Mortágua.
A taxa a aplicar entre os três milhões de euros e os cinco
milhões seria de 1,7%, entre cinco milhões e 10 milhões haveria uma taxa de
2,1%, e a partir dos 10 milhões a taxa seria de 3,5%.
Mortágua realçou que não existe risco de dupla tributação,
uma vez que é possível deduzir o adicional ao IMI por património imobiliário de
luxo, e “há ainda um teto que faz com que, quando somado a este imposto com o
IRS, não se possa ultrapassar mais de 60% do rendimento”.
Além disto, o BE vai também avançar com a criação de uma
taxa que apelidou de "imposto Elon Musk”, cunhado com o nome do magnata e
dono da rede social ‘X’, antigo Twitter.
“O
`imposto Elon Musk´ tem um propósito, que é taxar as empresas de serviços
digitais que utilizam os dados que cada um de nós enquanto utilizador fornece
para vender e monetizar através de publicidade”, explicou,
adiantando que este imposto seria aplicado a empresas que prestam serviços
digitais com volume de negócios superior a 750 milhões de euros, consistindo
numa taxa de 3% sobre o total das receitas provenientes de serviços digitais.
Mariana Mortágua realçou também que “Portugal tem um peso
excessivo e desproporcional de impostos indiretos, e em particular do IVA”,
imposto que é “regressivo que afeta mais as pessoas mais pobres e que precisam
de consumir e que gastam uma parcela superior do rendimento nestes impostos”.
“E Portugal não só tem um peso muito grande dos impostos
indiretos, como a média dos impostos indiretos no total da receita fiscal é
superior em Portugal à da média dos países da OCDE”, sustentou.
Neste contexto, os bloquistas vão propor várias alterações
ao regime de IVA, nomeadamente, reduzir de forma transversal a atual taxa
mínima de 6% para 5% e a taxa média de 13 para 12%.
O BE quer que as telecomunicações, eletricidade e gás passem
para a taxa reduzida, que propõem que seja de 5%, e, em contraponto, propõem a
taxa máxima de 23% para hotéis e alojamento local.
O partido quer alterar a forma como o IMT é contabilizado e
distribuído, salientando que atualmente a receita deste imposto é proporcional
ao preço da venda da casa e “cada município fica com essa receita”.
“Quanto mais altos foram os preços das casas num determinado
município, maior é a receita que esse município tem. O que nós estamos a propor
é que em vez de haver uma relação direta, essa receita do IMT possa ser
mutualizada: é criado um fundo que depois é repartido por todos os municípios
de uma forma mais equilibrada, quebrando o vínculo direto que existe entre
especulação e receita fiscal das autarquias”, explicou.
A bancada bloquista vai ainda insistir que a dedução
específica de IRS passe dos atuais 4104 euros para 4810 euros.
Fonte: CNN Portugal, 11 de novembro de 2024



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