Denúncias de assédio e abuso envolvem 27 alegados agressores do meio artístico
Tropiques
criminels - Sonia Rolland, Sohée Monthieux, Antoinette Giret
Vinte e sete pessoas do meio artístico foram identificadas
em denúncias de assédio,
abuso, violação e agressão, partilhadas depois de a DJ Liliana Cunha ter tornado pública uma
acusação contra o pianista de
jazz João Pedro Coelho.
Este dado foi revelado à Lusa pela artista Maia Balduz
que, juntamente com Liliana Cunha,
“Tivemos a iniciativa de criar o ‘email’ para ser mais fácil
gerir todos os testemunhos que estávamos a receber. Muita gente continuou a
usar as redes sociais, ainda estamos na fase de juntar tudo. Não é fácil gerir
[tanta informação]”, disse.
Existe também um grupo para partilha de testemunhos na
plataforma Telegram, mas que não foi criado nem é gerido por Liliana Cunha e
Maia Balduz.
“Inicialmente era para vítimas de qualquer área, mas com o
caso do João Pedro Coelho tornou-se num sítio em que muita gente do meio
musical foi contar as suas experiências. Nós não usamos esses testemunhos, a
menos que no-los enviem”, esclareceu a artista.
Liliana
Cunha, conhecida no meio artístico como Tágide, fez na semana
passada uma denúncia nas redes sociais, tendo inicialmente identificado o
alegado agressor apenas pelo primeiro nome, dizendo tratar-se de um pianista de
jazz de Lisboa. Mais tarde acabou por revelar tratar-se de João Pedro Coelho,
músico e antigo professor da escola do Hot Clube de Portugal.
O pianista refutou as acusações, reclamando “total
inocência”, numa publicação partilhada na sua conta no Instagram. “Para
reposição da verdade, e reparação da ofensa ao meu bom nome, usarei os meios
legais que estão ao meu alcance”, escreveu.
Maia Balduz, “e muitos outros dentro do meio [do jazz]”
perceberam “logo a que João se referia” a DJ logo na primeira publicação. Isto
porque “havia rumores, mas nada tão grave como o que se passou com a Liliana”.
Liliana Cunha acusou João Pedro Coelho de violação
e ‘stealthing’
(não-utilização de preservativo sem consentimento do/a parceiro/a),
alegadamente cometidos em 2023.
No entanto, o ‘stealthing’ não é considerado crime em
Portugal e as queixas por violação têm de ser apresentadas no prazo de um ano
após a ocorrência do alegado crime.
Maia Balduz sente que havia “algo trancado em muitas mulheres” e a partilha de Liliana Cunha
veio fazer com que decidissem falar.
“Como comecei a partilhar [no Instagram] mensagens que
recebi, começaram a vir muitos ter comigo e a darem testemunhos”, referiu,
esclarecendo que “começaram a surgir testemunhos em relação a outras pessoas”.
Maia e Liliana começaram a juntar as informações recebidas
numa lista que inclui 27
alegados agressores, todos homens.
“Há um caso fora do meio da música, mas como tem vários
testemunhos achámos pertinente manter aqui”, contou.
Este número poderá aumentar, visto que as artistas ainda não
recolheram todos os testemunhos que receberam através das redes sociais e
continuam a chegar denúncias.
Além disso, nem todos os visados estão identificados, porque
“há pessoas que têm medo de dizer o nome do agressor, precisam só de um canal
seguro para relatarem a sua situação”.
Cada
acusado é alvo de várias denúncias, excetuando um, sobre o qual foi
contabilizado apenas um testemunho até agora.
“Estamos a traçar os perfis, os padrões. Porque isto é uma
espécie de um ‘modus operandi’ que se vai identificando que estas pessoas têm. Acabam por utilizar sempre a mesma
maneira de conseguirem o que querem”, referiu.
Nas contas não entra “o diz que disse”. “Só colocamos
denúncias de pessoas que oficializam o seu testemunho”, disse.
Além disso, há também “muito cuidado com qualquer tipo de
testemunho que não esteja muito coerente, porque infelizmente podem sempre chegar coisas que não
são reais”.
“Passamos por esse processo de, com os canais possíveis que
temos, tentar perceber quão credível é o testemunho. É preciso ter muito
cuidado com isso. São muito
poucas [as denúncias que não são credíveis], obviamente, porque para ter coragem de
falar sobre estes assuntos normalmente são pessoas que vêm falar do que lhes
aconteceu”, afirmou Maia Balduz.
As duas artistas não irão expor nomes de vítimas, que são
maioritariamente mulheres, mas também há homens, “a menos que alguma queira
chegar-se à frente”, nem as situações pelas quais as mesmas passaram.
Os alegados crimes vão do ‘stalking’ (perseguição) ao
assédio, violação e agressão.
“Infelizmente em Portugal a maior parte dos crimes
prescreve. Houve pessoas que
foram apresentar queixa e o crime já tinha prescrito. Nesse aspeto a
Justiça não está a servir o seu propósito”, lamentou Maia Balduz.
Alguns casos aconteceram em situações de relações de
poder, entre vítima e agressor, como por exemplo professor e aluna.
De acordo com Maia Balduz, houve quem tivesse recorrido às
instituições de ensino: “Denunciaram e não aconteceu nada”.
João Pedro Coelho fez parte do corpo docente da escola de
jazz do Hot Clube de Portugal, o que levou a instituição a esclarecer, em
comunicado na semana passada, que o pianista “cessou funções como professor da
escola no ano letivo 2022/23, não sendo associado”, referindo que “o caso
reportado [de Liliana Cunha] não está relacionado com a instituição”.
No entanto, a direção do HCP revelou terem sido
identificadas “duas situações de assédio no passado ano letivo de 2021/22”, que
levaram “ao afastamento dos professores em causa”.
“Como consequência deste processo foi criado um Código de Conduta para a comunidade
escolar, assim como um Gabinete de Apoio ao Aluno e um Canal de Denúncia”, referiu.
A direção da escola disse ainda não ter conhecimento de
nenhuma queixa ou denúncia em curso, “estando disponível para atuar de imediato
em conformidade com as informações que chegarem”.
Fonte: CNN Portugal, 14 de novembro de 2024
Mulheres feias sendo assediadas causa sempre perplexidade, não será delírio delas, valorização excessiva da sua pessoa, algo que desejariam que acontecesse e na sua mente se fixou que aconteceu mesmo, por outro lado, há mulheres feias com vaginas muito bonitas.







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