MEGA Draghi?
Star Wars: Episode IV – A New Hope (1977)
Draghi
reconhece a nossa desvantagem em termos de energia em relação aos EUA e China,
mas depois propõe mais do mesmo, ou seja, exatamente a política que nos levou a
tal
Trump ganhou as eleições americanas com o chavão Make
America Great Again (MAGA). Por sua vez, na nossa União Europeia (UE), Mario
Draghi elaborou um relatório sobre a competitividade europeia. Parafraseando
Trump, podemos dizer que pretendia Make Europe Great Again (MEGA)!
Já aqui escalpelizei o Relatório Draghi em termos de
política industrial. Hoje abordo outra dimensão, a das políticas climáticas e
da dita transição energética, em que o Relatório Draghi é valioso pela clareza do diagnóstico, mas falha
rotundamente nas recomendações.
Draghi reconhece a nossa desvantagem em termos de energia em
relação aos EUA e China, mas depois propõe mais do mesmo, ou seja, exatamente a
política que nos levou a tal!
As energias eólica e solar são intermitentes e, como tal,
levam a uma utilização sub-ótima de um sistema elétrico, requerendo centrais
térmicas de backup com carvão e gás natural importados, para fornecerem energia
quando não haja vento e sol, e
dispendiosos sistemas de armazenamento da energia excedentária quando há vento e sol que leve
a produções renováveis em excesso em relação ao consumo.
Por isso, e por mais renováveis que instalemos,
continuaremos a ter que importar carvão e gás natural, levando o preço deste
por vezes a elevados preços da eletricidade!
O Relatório não ousa, obviamente, pôr em causa o mito do carbono zero na UE para 2050, lançado por Ursula
von der Leyen, imposição irrealista feita pelos Verdes alemães à Alemanha e à
UE, a qual apenas emite 7% do CO2 mundial, mas parece querer sozinha limpar o
mundo do CO2, quando este é um problema global. Neste contexto, os Verdes forçaram a Alemanha e a UE a adotar um modelo em que só
teríamos redes elétricas com energias renováveis e um parque automóvel apenas
com veículos elétricos.
Na Alemanha, o abandono do nuclear mostrou que tal não
conseguia ser suprido por mais energias renováveis, mas sim com mais carvão,
mais gás natural, mais emissões de CO2 e preços exorbitantes para a energia elétrica,
levando à desindustrialização.
Com isso, e com a dramática situação da indústria automóvel
na sequência da entrada maciça dos elétricos chineses, a Alemanha está à beira do suicídio
socioeconómico, e está a arrastar a UE para um desastre de grandes
dimensões que, segundo alguns, poderá mesmo levar à fragmentação da UE.
MEGA? Esqueçam!
Mira Amaral
Fonte: O Jornal Económico, 22 de novembro de 2024

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