Drones portugueses já ajudaram a destruir mil milhões de euros de equipamentos russos na Ucrânia
Tropiques criminels - Sonia Rolland, Béatrice de la Boulaye, Crystal
Shepherd-Cross, Galiam Bruno Henry
A revolução nos céus da
Ucrânia tem dedo português, mais particularmente da empresa Tekever,
que em pouco mais de um ano de guerra já ajudaram a destruir mais de mil
milhões de euros em equipamento militar russo: a operar desde o primeiro ano do
conflito, tornaram-se “os olhos” de muitas unidades ucranianas no campo de
batalha.
Segundo a CNN Portugal, o exemplo perfeito é a 15.ª
Brigada de Reconhecimento de Artilharia, também conhecida como “Floresta
Negra”, que tem usado o drone AR3 para travar os avanços russos: os militares
ucranianos lançam o drone da Tekever através de um sistema de catapulta – é
capaz de voar 16 horas seguidas e permite detetar e identificar alvos militares
russos de alto valor, como centros de comando, sistemas de defesa antiaérea ou
radares.
Os drones portugueses,
fornecidos pelo Reino Unido a Kiev, têm realizado operações de
sucesso nos céus da Ucrânia, tornando-se uma peça essencial nas operações
ucranianas. Isto graças ao avançado software da
Tekever, apoiado
por Inteligência Artificial: os drones nacionais são capazes de operar
sem precisar de sinal de GPS ou comunicações, evitando assim os milhares de
sistemas de guerra eletrónica das contramedidas da Rússia.
Recentemente, a brigada “Floresta Negra” utilizou um AR3
para identificar um radar Nebo-M, capaz de identificar alvos num raio de 3800
quilómetros. Estima-se que a Rússia tenha apenas dez unidades destes sistemas,
que têm um custo avaliado em 100 milhões de euros. Em menos de uma hora, o
drone português encontrou e identificou à distância o Nebo-M e a equipa pediu
imediatamente a autorização para um ataque com mísseis ATACMS, que devastou por
completo o radar.
Uma das mais-valias da Tekever é o foco na criação de
software, que a torna capaz de criar soluções a uma velocidade muito rápida
para responder a problemas concretos no campo de batalha: por vezes numa
questão de horas. “Se tens um ambiente que está em constante mudança, tu
precisas de um produto que se adapte com muita velocidade. Tipicamente, os
produtos militares evoluem de uma forma relativamente lenta. A mudança
geralmente acontece em anos. Nós, no mundo civil e do software, pensamos na
mudança em termos de semanas. Basicamente trouxemos esse nível de agilidade
para este cenário”, explicou Ricardo Mendes, CEO da Tekever, num podcast.
Foi assim que a empresa fundada por três antigos alunos do
Instituto Superior Técnico aplicou um modelo de “desenvolvimento vertical”: é
responsável por quase todos os elementos dos seus produtos – desde o software
até aos chips dos sensores, passando pelo design e a fuselagem das aeronaves.
Tudo é desenvolvido com o objetivo de serem “os mais ágeis do mercado”.
Depois do AR3, a
Tekever tem também em operação o AR5,
com maior capacidade. Este ano, a empresa nacional desvendou
o ARX, um sistema capaz de destacar e coordenar enxames de drones.
Este veículo só estará disponível em 2025 – promete “reforçar
significativamente as capacidades de vigilância e de salvamento de vidas
humanas, quer em organizações civis, quer em militares”, com mais autonomia,
maior velocidade, capacidade de transportar mais tecnologia e “captar mais
informação”.
De acordo com a empresa, o
ARX será o “Santo Graal da vigilância”, capaz de combinar
velocidade, capacidade de transporte de um grande número de sensores e grande
adaptabilidade.
Fonte: Executive Digest, 20 de dezembro de 2024



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