Primeiro-ministro da Roménia reconduzido após pacto de governo de partidos pró-europeus
McDonald & Dodds – Jason Watkins, Tala Gouveia
O primeiro-ministro romeno, Marcelo Ciolacu, foi reconduzido
após um acordo entre três partidos pró-europeus, que também designaram um
candidato comum às presidenciais, cuja primeira volta foi anulada por suspeita
de interferências pró-Rússia.
“Nomeio Marcel Ciolacu como primeiro-ministro”, declarou o
presidente liberal, Klaus Iohannis.
“Desejo o maior sucesso à
nova coligação pró-europeia e pró-romena”, disse o chefe de Estado,
a partir do palácio presidencial, recordando que “hoje, já no Parlamento, esta
maioria foi verificada e está segura”.
A nova coligação, salientou, deverá “gerir o calendário das
próximas eleições presidenciais”, para as quais os pró-europeus irão propor um
único candidato, Crin Antonescu, antigo líder do partido liberal, PNL.
O futuro executivo, afirmou o chefe de Estado, “tem todas as
hipóteses de continuar o bom caminho da Roménia, depois dos sucessos económicos
e da entrada no espaço Schengen”.
O Partido Social-Democrata, do primeiro-ministro Marcel
Ciolacu, o PNL e o UDMR, partido da comunidade húngara, anunciaram hoje um
pacto de governo e um candidato comum às eleições presidenciais, antecipando
assim uma saída para a crise institucional que o país vive após a anulação da
primeira volta das eleições presidenciais por alegadas interferências
pró-Rússia.
“Neste momento, temos um acordo político. É o precursor de
um governo de coligação e de uma maioria parlamentar. Cada um dos signatários
deste acordo político compreendeu o sinal dos romenos nas eleições gerais”,
declarou o social-democrata Marcel Ciolacu.
Fazem também parte do acordo deputados de outras minorias
nacionais, com este bloco a representar um total de 176 dos 331 lugares da
câmara baixa.
O líder social-democrata explicou, numa mensagem publicada
na rede social Facebook, que a coligação
defenderá os valores democráticos, o rumo e o lugar da Roménia na União
Europeia e na NATO, bem como os valores e a identidade nacionais.
Ciolacu admitiu que o futuro governo não terá uma tarefa
fácil e que os cidadãos esperam reformas, transparência e uma redução das
despesas, enquanto as empresas querem estabilidade e sustentabilidade
financeira.
Ilie Bolojan, líder do PNL, com o qual os socialistas
formaram uma grande coligação nos últimos quatro anos, disse que o seu partido
aceitou o pacto porque a Roménia precisa de um governo estável num período
difícil.
As primeiras tarefas do novo governo serão a aprovação do
orçamento para 2025 e a organização de eleições presidenciais, possivelmente
antes da Páscoa.
As eleições presidenciais foram anuladas pelo Tribunal
Constitucional devido a suspeitas de financiamento ilegal e de interferência
pró-russa na campanha do ultranacionalista pró-russo Calin Georgescu, que
venceu inesperadamente a primeira volta em 24 de novembro.
O novo parlamento, formado na passada sexta-feira após as
eleições de 1 de dezembro, deverá eleger hoje os presidentes do Congresso e do
Senado.
Os partidos europeístas e
moderados obtiveram 58% dos votos
nestas eleições, contra 33% dos partidos de extrema-direita e ultranacionalistas.
O PSD e o PNL sofreram um
grande revés eleitoral nas eleições, perdendo 5 e 10 pontos,
respetivamente, em comparação com as últimas eleições.
A inflação elevada, a corrupção enraizada, os receios em
relação à guerra na vizinha Ucrânia e o sentimento de que, 18 anos após a adesão à União Europeia, as promessas de
modernização e crescimento não foram cumpridas geraram uma onda de votos de protesto que
beneficia os partidos populistas e extremistas.
Os partidos que integram o acordo governamental vão também
apresentar Crin Antonescu, antigo líder do PNL, como candidato conjunto às
eleições presidenciais.
Antonescu, de 65 anos, foi deputado durante quatro mandatos
consecutivos e ocupou também um lugar no Senado. Foi ministro da Juventude e,
por um breve período, chefe de Estado durante uma crise política em 2012.
Os dois maiores partidos, PSD e PNL, viram pela primeira vez
os seus candidatos não passarem à segunda volta das eleições presidenciais.
Fonte: CNN Portugal, 23 de dezembro de 2024

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