Supremo da Roménia anula primeira volta das presidenciais que deram a vitória a candidato pró-Rússia
El karate el Colt y el impostor (1974) - Julián Ugarte, Femi
Benussi
A notícia chegou pelas 13h em Lisboa. Após fontes oficiais
terem adiantado a jornais de
referência em
Bucareste que o Tribunal Constitucional da Roménia decidiu anular os resultados
da primeira volta das eleições presidenciais, chegou o anúncio oficial da mais
alta instância judicial.
A apenas dois dias da segunda e última volta marcada para
domingo, após a vitória
surpresa do candidato de extrema-direita pró-Rússia Călin Georgescu há duas semanas, não é ainda claro se a primeira
volta vai ser repetida. “As coisas estão extremamente confusas neste
momento”, adianta à CNN Portugal Adi Zăbavă, consultor político sediado
em Bucareste.
A decisão surge após os juízes do Constitucional terem
estado reunidos esta sexta-feira de manhã para analisar várias queixas
apresentadas nos últimos dias, após
os serviços secretos da Roménia terem divulgado documentos que
comprovam que houve uma campanha de desinformação orquestrada nas redes
sociais, nomeadamente no TikTok, a favor do candidato independente, com fortes suspeitas de ter sido a
Rússia a organizá-la.
Entrevistada esta manhã pela rádio romena sobre o possível
cancelamento do primeiro turno presidencial, a rival de Georgescu, a reformista Elena Lasconi, disse que, “se
a primeira eleição for cancelada, haverá um terrível estado de tensão na
sociedade”, defendendo que as autoridades “devem deixar os romenos escolher”
quem querem como chefe de Estado.
A decisão de anular a primeira volta surge depois de o
Constitucional ter validado a vitória de Georgescu na primeira volta, após uma
recontagem dos votos. Ontem, o supremo tinha anunciado que ia avaliar os novos
pedidos de anulação dos resultados.
“Considerando as questões dos média relativas à receção de
petições e pedidos sobre o desenrolar das eleições para o cargo de presidente
da Roménia, o Tribunal Constitucional declara que foram registados e que vão
ser examinados de acordo com as disposições constitucionais e legais, no
processo de validação das eleições.”
Em comunicado, o tribunal adiantou que, nesta fase do
processo eleitoral, de acordo com o que está definido na Constituição, pode
apreciar os recursos interpostos por candidatos qualificados à segunda volta
das presidenciais.
Ao todo, o Constitucional recebeu na quinta-feira quatro
pedidos para anular os resultados da primeira volta das eleições, que foi
disputada a 24 de novembro, nomeadamente da Escola Nacional de Estudos Políticos e Administrativos,
do Instituto Nacional para o Estudo do Totalitarismo, pelo jornal Calea
Europeana e pelo candidato presidencial independente Cristian Terheş.
A segunda volta, que deverá agora ser cancelada, estava marcada para o próximo
domingo.
Fonte: CNN Portugal, 6 de dezembro de 2024
Em democracia, as eleições repetem-se até vencerem os corretos, os do lado certo da História.
Nacionalista Georgescu
bloqueará ajuda a Kiev se for eleito Presidente da Roménia
O vencedor inesperado da primeira volta das presidenciais
romenas, Calin Georgescu, prometeu que se vencer domingo a segunda volta
tentará bloquear o envio de ajuda à Ucrânia, alegando que a prioridade estará nos romenos.
Defensor de ideias de extrema-direita e nacionalistas,
Georgescu anunciou que com ele haverá "zero" ajuda política e militar
a Kiev.
"Tudo vai parar. Tenho que me preocupar com o meu povo.
Já temos muitos problemas", argumentou o político, numa entrevista à rádio
pública britânica BBC para justificar o fim do apoio a Kiev, que
enfrenta uma invasão russa desde fevereiro de 2022.
O chefe de Estado da Roménia é quem define as orientações da
política externa e de segurança.
Georgescu negou
também ser o “homem de Moscovo” nestas eleições, apesar de as autoridades romenas terem
confirmado que a Rússia tentou influenciar o processo para benefício próprio.
O candidato garantiu não ser um “admirador” do presidente russo, Vladimir Putin,
apesar de o descrever como um “patriota” e um “líder”.
A
comunidade internacional "não pode aceitar que o povo romeno tenha
finalmente dito 'queremos recuperar a nossa vida, o nosso país, a nossa
dignidade'”, considerou ainda o romeno, apelidando de
"mentiras" as dúvidas sobre a sua vitória na primeira volta.
O Conselho Supremo de Defesa Nacional da Roménia alertou no
seu relatório sobre as tentativas de interferência russa e questionou o papel da rede social
TikTok, pilar básico da campanha do candidato da extrema-direita,
que negou ter favorecido Georgescu.
A Procuradoria Romena também está a investigar a origem dos
fundos desta campanha.
O Tribunal Constitucional da Roménia validou na
segunda-feira, após nova contagem, os resultados da primeira volta das eleições
presidenciais, realizadas no passado dia 24.
Num país em clima de turbulência política, a decisão do
Tribunal Constitucional clarificou a situação e permite uma segunda volta das
eleições presidenciais no próximo domingo, nas condições inicialmente
previstas.
Na primeira volta, contra as expectativas gerais e o que
indicavam as sondagens, Georgescu venceu com 23% dos votos, seguido da
conservadora e pró-europeia Elena Lasconi, que se impôs - por uma margem
estreita e apenas cerca de dois mil votos - ao primeiro-ministro romeno, o
social-democrata Marcel Ciolacu, que após o desastre eleitoral apresentou a sua
demissão do cargo de presidente do seu partido.
Georgescu,
que não contou com o apoio de nenhum partido, venceu a primeira volta também
na diáspora, sobretudo dos romenos residentes em países como o Reino Unido,
França, Itália, Alemanha e Espanha.
Lasconi,
que ambiciona ser a primeira mulher a ocupar a chefia de Estado, anunciou que
iria procurar alianças para vencer as eleições presidenciais e ter um governo
de direita.
A política conservadora conta com o apoio do seu partido, o
centrista USR, mas também do Partido Nacional Liberal (PNL) e do partido
minoritário húngaro UDMR. Entretanto, o governista Partido Social-Democrata
(PSD, de Ciolacu) não demonstrou o seu apoio expresso e limitou-se a dizer que
os eleitores saberão decidir.
Fonte: Lusa, 6 de dezembro de 2024


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