Supremo da Roménia anula primeira volta das presidenciais que deram a vitória a candidato pró-Rússia

 

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A notícia chegou pelas 13h em Lisboa. Após fontes oficiais terem adiantado a jornais de referência em Bucareste que o Tribunal Constitucional da Roménia decidiu anular os resultados da primeira volta das eleições presidenciais, chegou o anúncio oficial da mais alta instância judicial.

A apenas dois dias da segunda e última volta marcada para domingo, após a vitória surpresa do candidato de extrema-direita pró-Rússia Călin Georgescu há duas semanas, não é ainda claro se a primeira volta vai ser repetida. “As coisas estão extremamente confusas neste momento”, adianta à CNN Portugal Adi Zăbavă, consultor político sediado em Bucareste.

A decisão surge após os juízes do Constitucional terem estado reunidos esta sexta-feira de manhã para analisar várias queixas apresentadas nos últimos dias, após os serviços secretos da Roménia terem divulgado documentos que comprovam que houve uma campanha de desinformação orquestrada nas redes sociais, nomeadamente no TikTok, a favor do candidato independente, com fortes suspeitas de ter sido a Rússia a organizá-la.

Entrevistada esta manhã pela rádio romena sobre o possível cancelamento do primeiro turno presidencial, a rival de Georgescu, a reformista Elena Lasconi, disse que, “se a primeira eleição for cancelada, haverá um terrível estado de tensão na sociedade”, defendendo que as autoridades “devem deixar os romenos escolher” quem querem como chefe de Estado.

A decisão de anular a primeira volta surge depois de o Constitucional ter validado a vitória de Georgescu na primeira volta, após uma recontagem dos votos. Ontem, o supremo tinha anunciado que ia avaliar os novos pedidos de anulação dos resultados.

“Considerando as questões dos média relativas à receção de petições e pedidos sobre o desenrolar das eleições para o cargo de presidente da Roménia, o Tribunal Constitucional declara que foram registados e que vão ser examinados de acordo com as disposições constitucionais e legais, no processo de validação das eleições.”

Em comunicado, o tribunal adiantou que, nesta fase do processo eleitoral, de acordo com o que está definido na Constituição, pode apreciar os recursos interpostos por candidatos qualificados à segunda volta das presidenciais.

Ao todo, o Constitucional recebeu na quinta-feira quatro pedidos para anular os resultados da primeira volta das eleições, que foi disputada a 24 de novembro, nomeadamente da Escola Nacional de Estudos Políticos e Administrativos, do Instituto Nacional para o Estudo do Totalitarismo, pelo jornal Calea Europeana e pelo candidato presidencial independente Cristian Terheş. A segunda volta, que deverá agora ser cancelada, estava marcada para o próximo domingo.

Fonte: CNN Portugal, 6 de dezembro de 2024

Em democracia, as eleições repetem-se até vencerem os corretos, os do lado certo da História.  

Nacionalista Georgescu bloqueará ajuda a Kiev se for eleito Presidente da Roménia

O vencedor inesperado da primeira volta das presidenciais romenas, Calin Georgescu, prometeu que se vencer domingo a segunda volta tentará bloquear o envio de ajuda à Ucrânia, alegando que a prioridade estará nos romenos.

Defensor de ideias de extrema-direita e nacionalistas, Georgescu anunciou que com ele haverá "zero" ajuda política e militar a Kiev.

"Tudo vai parar. Tenho que me preocupar com o meu povo. Já temos muitos problemas", argumentou o político, numa entrevista à rádio pública britânica BBC para justificar o fim do apoio a Kiev, que enfrenta uma invasão russa desde fevereiro de 2022.

O chefe de Estado da Roménia é quem define as orientações da política externa e de segurança.

Georgescu negou também ser o “homem de Moscovo” nestas eleições, apesar de as autoridades romenas terem confirmado que a Rússia tentou influenciar o processo para benefício próprio.

O candidato garantiu não ser um “admirador” do presidente russo, Vladimir Putin, apesar de o descrever como um “patriota” e um “líder”.

A comunidade internacional "não pode aceitar que o povo romeno tenha finalmente dito 'queremos recuperar a nossa vida, o nosso país, a nossa dignidade'”, considerou ainda o romeno, apelidando de "mentiras" as dúvidas sobre a sua vitória na primeira volta.

O Conselho Supremo de Defesa Nacional da Roménia alertou no seu relatório sobre as tentativas de interferência russa e questionou o papel da rede social TikTok, pilar básico da campanha do candidato da extrema-direita, que negou ter favorecido Georgescu.

A Procuradoria Romena também está a investigar a origem dos fundos desta campanha.

O Tribunal Constitucional da Roménia validou na segunda-feira, após nova contagem, os resultados da primeira volta das eleições presidenciais, realizadas no passado dia 24.

Num país em clima de turbulência política, a decisão do Tribunal Constitucional clarificou a situação e permite uma segunda volta das eleições presidenciais no próximo domingo, nas condições inicialmente previstas.

Na primeira volta, contra as expectativas gerais e o que indicavam as sondagens, Georgescu venceu com 23% dos votos, seguido da conservadora e pró-europeia Elena Lasconi, que se impôs - por uma margem estreita e apenas cerca de dois mil votos - ao primeiro-ministro romeno, o social-democrata Marcel Ciolacu, que após o desastre eleitoral apresentou a sua demissão do cargo de presidente do seu partido.

Georgescu, que não contou com o apoio de nenhum partido, venceu a primeira volta também na diáspora, sobretudo dos romenos residentes em países como o Reino Unido, França, Itália, Alemanha e Espanha.

Lasconi, que ambiciona ser a primeira mulher a ocupar a chefia de Estado, anunciou que iria procurar alianças para vencer as eleições presidenciais e ter um governo de direita.

A política conservadora conta com o apoio do seu partido, o centrista USR, mas também do Partido Nacional Liberal (PNL) e do partido minoritário húngaro UDMR. Entretanto, o governista Partido Social-Democrata (PSD, de Ciolacu) não demonstrou o seu apoio expresso e limitou-se a dizer que os eleitores saberão decidir.

Fonte: Lusa, 6 de dezembro de 2024

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