Independência dos bancos centrais está a ser questionada, acredita Lagarde
Pirates of
the Caribbean: Dead Man's Chest (2006) – Keira Knightley, Orlando Bloom
Estudo
conclui que, só entre 2018 e 2020, a independência "de facto" dos
bancos centrais se deteriorou para quase metade dos bancos centrais em
jurisdições que representam 75% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial
A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, disse esta segunda-feira que a independência dos bancos centrais está a ser questionada em várias partes do mundo, dias depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, criticar a Reserva Federal dos EUA.
Embora estudos recentes sugiram que a independência "de jure" dos bancos centrais nunca foi tão prevalecente
como agora, não há dúvida de que a independência
"de facto" dos bancos
centrais está a ser questionada em várias partes do mundo", afirmou a
presidente do Banco Central Europeu (BCE) num discurso gravado na conferência
Lamfalussy, em Budapeste.
Recentemente, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump,
criticou o desempenho da Reserva Federal norte-americana (Fed) e do seu
presidente, Jerome Powell, afirmando que a política monetária do banco central
norte-americano é atualmente demasiado indecisa e que gostaria de ver as taxas de juro baixar
"significativamente".
Lagarde explicou que um
estudo que analisou 118 bancos
centrais na década de 2010 mostra que cerca de 10% dos bancos centrais
enfrentaram pressões políticas, mesmo os bancos centrais com um elevado grau de
independência "de jure".
Outro estudo conclui que, só entre 2018 e 2020, a
independência "de facto" dos bancos centrais se deteriorou para quase
metade dos bancos centrais em jurisdições que representam 75% do Produto
Interno Bruto (PIB) mundial.
De acordo com a economista francesa, os dados sugerem que a
influência política nas decisões dos bancos centrais também pode contribuir
substancialmente para a volatilidade macroeconómica. "Por exemplo, tem-se observado que a pressão política
persistente sobre um banco central afeta o nível e a volatilidade das taxas de
câmbio, as taxas de rendibilidade das obrigações e o prémio de risco",
afirmou.
"Ao mesmo tempo, as tensões geopolíticas ameaçam
amplificar a volatilidade, aumentando a frequência dos choques que afetam a
economia mundial", acrescentou.
A presidente do BCE recordou que, após a invasão da Ucrânia pela Rússia no início de 2022, a
volatilidade média do crescimento do produto na zona euro aumentou 60% em
comparação com a registada antes da crise financeira mundial, enquanto a
volatilidade média da inflação disparou 280%.
Um ambiente mais volátil pode
tornar mais difícil a tarefa de manter a estabilidade dos preços, o que pode suscitar preocupações de
que os bancos centrais independentes não estão a cumprir os seus mandatos,
potencialmente minando o consenso social e ampliando ainda mais a volatilidade
da economia.
"A pergunta óbvia é: será que a atual era de
volatilidade vai transformar o círculo virtuoso que facilitou a ascensão da
independência dos bancos centrais num círculo vicioso que leva ao seu
enfraquecimento?", disse Lagarde, que depois respondeu: "tendo tudo
em conta, diria que é pouco provável que isso aconteça".
Na sua opinião, isso não acontecerá porque, no mundo atual,
a independência dos bancos centrais oferece duas vantagens fundamentais: atua
como contrapeso à volatilidade nestes tempos imprevisíveis e também contribui
para a força regional num mundo cada vez mais definido por rivalidades
geopolíticas.
Fonte: Rádio Renascença, 27 de janeiro de 2025
A empáfia que enche o peito dos economistas de que a sua ação rápida, firme, pelo tempo necessário, tem alguma relação com as variações da inflação é enternecedora, comovente como uma telenovela mexicana até, Como tú no hay dos.



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