"Inexequível e absurda." Proprietários portugueses criticam medida do Governo espanhol para reduzir crise na habitação
Rage of Honor (1987)
António
Menezes Leitão afirma na TSF que a medida proposta pelo Governo espanhol é
"absurda" e vai "agravar imenso" a crise na habitação, ao
fazer "disparar" o preço das casas. Já a Associação dos Inquilinos
Lisbonenses admite que a proposta pode ser aplicada em Portugal, mas passa ao
lado do essencial
O Governo espanhol quer taxar a 100% a compra de casas por
estrangeiros não residentes, que sejam cidadãos fora da União Europa, com o
objetivo aumentar oferta pública de habitações para arrendamento. Questionadas
pela TSF sobre a aplicabilidade desta medida em Portugal, a Associação Nacional
de Proprietários garante que "não é exequível" e a Associação Lisbonense de Proprietários defende que o país
seguir "a política exatamente inversa".
Em causa está uma proposta de reforma fiscal, que o
Executivo espanhol pretende levar ao Parlamento, para dar mais benefícios a
proprietários que arrendem casas e para agravar os impostos ao alojamento local
e à compra de habitação em Espanha por estrangeiros não residentes que sejam
cidadãos de fora da União Europeia.
"Não é justo que quem tem três, quatro, cinco
apartamentos para arrendamento de curta duração pague menos impostos que os
hotéis", argumentou o primeiro-ministro, Pedro Sánchez, em relação ao
alojamento local, defendendo que tem de ser taxado "como uma
empresa".
Sobre isto, António Frias Marques, presidente da Associação
Nacional de Proprietários, acusa Sánchez de propaganda e assegura que a medida
não teria sucesso no país luso.
"Este primeiro-ministro
espanhol é o rei dos ziguezagues. Isso em Portugal não é exequível, porque, se começarmos a tratar mal os
estrangeiros, o país acaba", alerta.
Apesar de acreditar que, em Portugal, os estrangeiros têm
sido "apaparicados com a ausência de impostos há dezenas de anos" e
que o cenário "contrário" se verifica em Espanha, afirma que o
Governo português "não pode e não deve" optar por nenhuma destas
opções.
"De alguns anos para cá, Portugal é um paraíso fiscal
para os estrangeiros", denuncia.
O líder da Associação Nacional de Proprietários afirma ainda
que a solução para a crise na habitação tem de partir do Estado e das
autarquias e não ser atirada aos estrangeiros.
"Por muitas leis que queiram em Portugal implementar
para zurzir os proprietários e pôr-lhes castigos em cima de castigos não são os
privados. Quem tem de providenciar casas para
essas pessoas é o Estado, as câmaras e as autarquias locais",
defende.
António Frias Marques apela para que o país não se
"iluda" com a ideia de que os estrangeiros que compram casas em
Portugal o façam para as colocar no mercado "a preços muito baixinhos para
as pessoas que precisam". Até porque, nota, o tipo de habitação que
compram "não é compatível com famílias de baixos rendimentos".
"As casas que os
estrangeiros compram em Portugal são penthouse e casas de alto gabarito.
Não vamos confundir o luxo com coisas modestas", sublinha.
Já para o presidente da Associação Lisbonense de
Proprietários, a proposta do Executivo espanhol "é absurda" e só
"agrava" as dificuldades sentidas. António Menezes Leitão considera
mesmo que se está a assistir a uma "discriminação enorme contra os
estrangeiros".
"O que significa, neste caso, é que o Estado vai querer
aproveitar a onda especulativa que se gerou e cobrar mais impostos em
consequência disso. Grande parte da crise de
habitação que nós temos em Portugal deriva de ter sido lançado o 'imposto
Mortágua', que só incide sob prédios de habitação", entende.
Menezes Leitão acusa os governos de terem adotado
"políticas de esquerda radical", reforçando que "acabam por
agravar imenso" a crise na habitação: "Estamos a pagar isso em
Portugal e também em Espanha."
Argumenta, por isso, que a política a seguir tem de ser
"exatamente a inversa", porque, nestas condições, o preço das casas
vai "disparar" no país vizinho: é
preciso "abolir a carga tributária" que existe sob a habitação, para
permitir que o preço das casas baixe, diz.
"Se alguém em Portugal se lembrar de imitar uma medida
semelhante, o resultado seria termos uma situação ainda mais grave do que
aquela que já temos", assegura.
Ouvido pela TSF, o secretário-geral da Associação dos
Inquilinos Lisbonenses (AIL), António Machado, admite, por outro lado, que a
medida do primeiro-ministro espanhol poderá ser aplicada em Portugal. Ainda
assim, passa ao lado do essencial.
"No primeiro trimestre, os compradores estrangeiros
adquiriram 2655 habitações, portanto, 6% do total", adianta.
"O problema, se calhar, não é comprar as casas. É não
pagarem os impostos, portanto, não pagarem o seu IRS cá, nem no país de
origem", atira, acrescentando que os portugueses estão "a pagar os
impostos" que estes estrangeiros "não pagam".
Fonte: TSF, 14 de janeiro de 2025



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