Nuvem de suspeitas paira sobre a China: Patentes revelam desenvolvimento de tecnologias para cortar cabos submarinos
Knights (1993) - Kathy Long
Uma investigação recente revelou que engenheiros chineses
desenvolveram dispositivos projetados para cortar cabos submarinos de
comunicação de maneira rápida e económica. Esta descoberta surge num momento em
que navios chineses são suspeitos de terem danificado cabos cruciais no Mar
Báltico, ao largo da Noruega e nas proximidades de Taiwan, levantando
preocupações sobre possíveis atos de sabotagem.
Segundo revela a Newsweek, em 2020, uma equipa de
engenheiros da Universidade de Lishui, na província costeira de Zhejiang,
desenvolveu um dispositivo descrito como “cortador de cabos submarinos do tipo
de arrasto”. Os autores, Zhang Shusen, Dai Ying, Fu Changrong, Gao Zikun, Li
Xuping e Ji Guangyao, explicaram que o objetivo era fornecer uma solução mais
eficiente e de baixo custo em comparação com os métodos tradicionais de corte
de cabos, que requerem a localização, escavação e recuperação dos cabos antes
de serem cortados.
“Com o desenvolvimento da ciência e tecnologia, cada vez
mais cabos submarinos são instalados no fundo do mar em todo o mundo, e é
necessário cortá-los em situações de emergência”, afirmaram os autores. O
dispositivo permitiria verificar o sucesso do corte através do resíduo de
cobre, material condutor preferido usado nos cabos submarinos.
Incidentes
suspeitos
Vários incidentes de danificação de cabos submarinos
ocorreram recentemente, com navios chineses ou
russos identificados nas áreas antes dos danos, levantando suspeitas
de sabotagem. O governo chinês declarou que pelo menos um dos incidentes foi
acidental. No entanto, a presença de navios como o Xing Shun 39, Newnew Polar
Bear e Yi Peng 3 nas proximidades das ocorrências levanta questões sobre as
intenções por trás dessas ações.
Em Taiwan, um cabo de telecomunicações foi cortado ao largo
da costa norte em 3 de janeiro, com o navio Xing Shun 39 sob suspeita.
Analistas sugerem que este poderia ser um ataque
de zona cinzenta ou híbrido.
Especialistas sublinham a gravidade destas ações. Benjamin
L. Schmitt, do Centro Kleinman para Políticas Energéticas da Universidade da
Pensilvânia, afirmou à Newsweek, que “a China tem a capacidade técnica e
motivação para realizar operações de sabotagem de infraestruturas submarinas”.
Ele acrescentou que o facto de haver múltiplas patentes técnicas para
dispositivos de corte de cabos submarinos só reforça as suspeitas de que Pequim
possa estar a desenvolver opções técnicas para futuras operações de guerra submarina.
Gregory Falco, professor na Universidade de Cornell,
destacou o uso dual desta tecnologia, que pode ser legítima para remover cabos
antigos, mas também pode ser usada para fins
maliciosos. “Este
é um exemplo claro das explorações de uso dual que a China tem vindo a
aperfeiçoar ao longo dos anos”, disse Falco.
Dada a importância crítica das infraestruturas submarinas
para as comunicações globais, Schmitt recomendou uma resposta coordenada das democracias mundiais
para deter futuras tentativas de sabotagem. Ele sugeriu o uso de
mecanismos consultivos da NATO, além de maior monitorização offshore e por
satélite, para proteger estas infraestruturas vitais.
“A inação só irá encorajar Moscovo e Pequim a continuar com
estas operações disruptivas de sabotagem, em detrimento da segurança global”,
alertou Schmitt.
Fonte: Executive Digest, 10 de janeiro de 2025




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