Paul McCartney apela ao Governo britânico para proteger artistas da Inteligência Artificial
Pirates of
the Caribbean: Dead Man's Chest (2006) – Keira Knightley, Johnny Depp
O ex-Beatle Paul McCartney apelou hoje ao Governo britânico
para reforçar a proteção dos artistas contra a inteligência artificial (IA),
numa altura em que o executivo considera uma reforma da lei dos direitos de
autor.
Numa entrevista à BBC, o cantor e compositor britânico, de
82 anos, alertou que os músicos podem ser "despojados" das suas criações e
voltou a criticar o projeto do Governo trabalhista que prevê alterações à
legislação sobre direitos de autor.
Entre as propostas está
"uma exceção aos direitos de autor" para treinar modelos de IA com
fins comerciais, cujo projeto ofereceria aos criadores a
possibilidade de "reservar os seus direitos".
Paul McCartney, que manteve uma carreia praticamente a solo
após a dissolução oficial dos Beatles, em 1970, sustenta que, com essa reforma,
os artistas perderão o controlo sobre as suas obras.
“Os jovens podem escrever uma bela canção, mas podem acabar
por não ser os proprietários dela”, disse.
Pior ainda, “qualquer pessoa poderá apropriar-se dessa
canção”, denunciou.
“A verdade é que o dinheiro irá para algum lado. Alguém será
pago. Não deverá ser o tipo que escreveu ‘Yesterday’?", um dos temas mais
conhecidos dos The Beatles, composto por Paul McCartney (creditada a
Lennon/McCartney), gravada em 1965 para o álbum “Help!”, questionou.
“Se apresentarem um projeto de lei, assegurem-se de que
protegem os pensadores e os artistas, caso contrário, não terão o seu apoio.
Somos o povo, vocês são o Governo. É suposto que nos protejam. Esse é o vosso
trabalho”, reforçou McCartney.
O Governo britânico anunciou que aproveitará o período de
consulta pública, que decorre até 25 de fevereiro, para explorar os principais
pontos do debate, incluindo a forma como os criadores poderão obter licenças e
ser remunerados pela utilização das suas obras.
Questionada sobre estas propostas numa entrevista à BBC, a
ministra das Finanças britânica, Rachel Reeves, garantiu que “quer apoiar os
artistas” e fará “tudo para que os direitos de autor sejam respeitados”.
Em novembro de 2023, McCartney
e Ringo Starr, os membros sobreviventes dos Beatles (George Harrison
morreu em novembro de 2001), usaram a IA para
extrair a voz de John Lennon, assassinado em 1980 em Nova Iorque, de
uma canção inacabada com várias décadas, intitulada “Now and Then”.
“Eu acho que a IA é fantástica e pode fazer muitas coisas
incríveis”, admitiu Paul McCartney.
“No entanto, a IA não deve despojar os criadores. Isso não
faz sentido”, concluiu.
Fonte: Lusa, 26 de janeiro de 2025

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