Rosalino ia ganhar metade do que Costa (e Centeno) deram ao presidente da CGD em 2016
Josie Maran
Governo
decidiu pagar perto de 16 mil euros ao secretário-geral nomeado para gerir sede
do governo. PS avançou com um pedido de apreciação parlamentar da exceção
criada para o permitir e Rosalino rejeitou o lugar. Em 2016, socialistas, com
Centeno nas Finanças, PS decidiu pagar quase 40 mil euros/mês ao presidente da
CGD. E também criou exceção no IGCP
Apesar de não ser competência da Assembleia, o PS insistiu
que o Parlamento devia pronunciar-se sobre o salário atribuído a Hélder
Rosalino, nomeado pelo governo para o recém-criado cargo de secretário-geral do
governo não apenas para gerir as compras, serviços e logística da sede do
Executivo, agora concentrado na antiga sede da Caixa Geral de Depósitos, mas
para conduzir uma reforma na administração pública que extinguirá outras três
secretarias (Presidência do Conselho de Ministros, Economia e Ambiente e
Energia) e o Centro de Gestão da Rede Informática do Governo. A mudança, que
deverá poupar mais de 4 milhões de euros por ano aos contribuintes, já não
será, porém, conduzida por Rosalino, que rejeitou esta tarde o lugar.
O que
esteve na origem do caso?
Os socialistas contestaram o valor de quase 16 mil euros
brutos definido para o cargo de secretário-geral — com a lei a ser alterada
para permitir que excedesse os cerca de 7 mil euros aferidos pelo
primeiro-ministro, que balizam os vencimentos em cargos públicos —, e
anunciaram hoje que iriam avançar com um pedido de apreciação parlamentar do
decreto-lei que define quanto pode receber o dirigente, apesar de a decisão não
ser do âmbito parlamentar, mas do Executivo. Também o PAN e o Chega se
pronunciaram contra o salário definido e o governador do Banco de Portugal
emitiu um comunicado recusando pagar a Rosalino — apesar de essa possibilidade
estar prevista na lei no que respeita a membros de gabinetes requisitados,
mediante acordo com a instituição de origem.
Como se
chegou a este valor?
Os
cerca de 16 mil euros brutos não foram definidos aleatoriamente. É esse
o valor que Hélder Rosalino recebe como administrador do Banco de Portugal e,
desde setembro, como consultor daquela instituição, posição em que o BdP o
manteve quando saiu da administração por fim de mandato. Os salários do Banco
de Portugal são determinados por lei, fixando-se entre os 18.177 euros mensais
que recebe o governador e os 15.905 euros dos administradores.
Ao ser convidado pelo governo para a posição de
secretário-geral do governo, na semana passada, com as funções acima
explicadas, foi cuidado que Hélder Rosalino não seria penalizado na sua
remuneração, o que levou o governo a alterar a lei que, por defeito, prevê que
todos os cargos em funções públicas sejam balizados pelo vencimento do
primeiro-ministro.
A alteração da lei, bem como o valor definido mereceram,
porém, a oposição dos socialistas, bem como do governador do Banco de Portugal,
que se recusou a continuar a pagar o salário a Rosalino, com Mário Centeno a
alegar que as regras europeias o proíbem.
É verdade
que Bruxelas proíbe essa situação?
A interpretação diverge. Mário Centeno, governador do Banco
de Portugal desde julho de 2020, um mês depois de deixar de ser ministro das
Finanças do governo socialista, avisou o governo que, apesar de a legislação
para membros dos gabinetes indicar que a instituição de origem pode assumir o
custo "mediante acordo", o decreto-lei referente à secretaria-geral
não o prevê. Pelo que o BdP "não vai assumir qualquer despesa" do
salário; mesmo porque, argumenta o governador, as "regras do
Eurossistema" o proíbem.
O argumento de Mário Centeno são, porém, contestados
nomeadamente pelo antigo presidente da Comissão de Recrutamento e Seleção para
a Administração Pública (CReSAP). Em entrevista à SIC-N, João Bilhim lamentou o
que considera um "caso único de falta de cooperação institucional",
apontando que, "a haver alguma proibição da legislação europeia, está
relacionada com a interferências do governador sobre o Estado". E se essa
questão não se põe relativamente a Mário Centeno, que passou da condução da
pasta das Finanças para a liderança do BdP, não seria levantada também aqui.
"Se a independência é possível no caso dele, também o seria em qualquer
outro caso", afirmou.
Esta
situação é caso único?
Não. Na verdade, o governo socialista liderou várias vezes
iniciativas semelhantes. Logo em 2016, com Mário Centeno como ministro das
Finanças, o governo socialista (então com António Costa como
primeiro-ministro), decidiu quase duplicar o salário do presidente do banco
público, a Caixa Geral de Depósitos. Então ainda afetada pela crise financeira,
a CGD registara prejuízos anuais de 172 milhões de euros quando António
Domingues foi escolhido para liderar a instituição com um salário anual de 423
mil euros, correspondente a cerca de 35 mil euros/mês. O então ministro das
Finanças, Mário Centeno, justificava ao Parlamento a quase duplicação de
remuneração relativamente à anterior gestão como necessário alinhamento com o
setor da banca em Portugal, admitindo que o salário poderia até ser mais alto
com os prémios de desempenho, que podem representar até metade da remuneração
fixa, revelando que "o investimento feito na Caixa está a dar retorno e é
justificável".
Também o presidente do IGCP mereceu ao governo socialista a
publicação de um decreto-lei para permitir que a sua componente fixa não
implicasse perdas para o titular. Quando nomeou Miguel Martín, em 2022, o então
titular das Finanças, Fernando Medina, publicou uma autorização para que
pudesse optar pelo vencimento auferido no lugar de origem (era o responsável, à
data, gestor da Ascendi) de forma a não ter perda ao aceitar o lugar de gestão
pública. O novo presidente do IGCP conseguia assim ganhar quase metade mais do
que a antecessora, Cristina Casalinho, recebendo por mês o dobro do
primeiro-ministro: 15 mil euros mensais fixos.
São apenas dois casos semelhantes em que o governo, então
com o PS ao leme, recorreu à exceção para garantir uma remuneração que
considerou adequada às responsabilidades, apesar de a lei determinar limites
mais modestos.
Agora que Rosalino recusou a nomeação para secretário-geral
do governo, continuará a ser pago por Centeno, como consultor do BdP, nos
mesmos 16 mil euros mensais.
Fonte: Sapo, 30 de dezembro de 2024
Facebook atira todo o seu discurso do ódio contra Rosalino. A moderação considera-o ingerido por Putin ou outro inimigo do Ocidente.
Facebook confirma através de um discurso odiento, que Rosalino está a executar atividade sexual perversa que aleija as normais.



Comentários
Enviar um comentário