Alemanha: Die Linke sobe nas sondagens depois de se tornar viral na Internet
Doctor
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A menos
de uma semana das eleições nacionais de 23 de fevereiro, o partido Die Linke (A
Esquerda) está a registar uma subida de última hora nas intenções de voto
O partido populista de esquerda, que em janeiro tinha cerca
de 4% nas sondagens, viu os seus números subirem para 6% ou 7% nas últimas
semanas.
Uma sondagem da empresa YouGov coloca, inclusive, o partido
nos 9% - um salto significativo face há um mês e bem acima do limiar de 5% de
que necessitaria para entrar no Bundestag.
Antes de registar este aumento nas intenções de voto, uma das estrelas em ascensão do partido, Heidi Reichinnek,
tornou-se viral nas redes sociais por ter criticado apaixonadamente Friedrich Merz, o líder da União Democrata-Cristã, de centro-direita, pela sua controversa decisão de aceitar os votos da extrema-direita para fazer passar as suas propostas sobre migração.
"Tornaste-te cúmplice e hoje mudaste este país para
pior", disse Reichinnek a Merz, no seu discurso espontâneo, que o partido
diz ter sido visto mais de 30 milhões de vezes.
"Resistir ao fascismo neste país. Para as
barricadas", acrescentou.
De acordo com Maik Fielitz, do Instituto para a Democracia e
Sociedade Civil, o discurso de Reichinnek tornou-se viral, à semelhança do
conteúdo que a Alternativa para a Alemanha (AfD), de extrema-direita, tem
promovido, com sucesso, nas redes sociais durante os últimos anos.
"Candidatos como Heidi Reichinnek atuam como influenciadores políticos. O objetivo é dar a
conhecer primeiro a sua personalidade e só depois o seu posicionamento
político", explicou Fielitz.
O partido está ciente do recente sucesso que conquistou nas
redes sociais, com Dietmar Bartsch, político de A Esquerda, a referir, em
declarações à Euronews, que o partido pretende contrariar o fluxo de
mensagens online pró-AfD com "conteúdo de esquerda bem feito e
credível".
A Esquerda quer, assim, "clarificar a
desinformação" e definir o que diz ser os seus "próprios
tópicos" na Internet, acrescentou.
De céticos a crentes?
De acordo com a imprensa nacional, o número de membros de A
Esquerda atingiu o nível mais alto dos últimos 15 anos, o que levou o partido a
procurar locais de campanha maiores nas últimas duas semanas.
Uma sondagem realizada junto de menores de 18 anos revelou
também que o partido lidera entre as crianças e
os jovens adultos, com 20,84% de apoio.
Antes deste aumento de popularidade de última hora, A
Esquerda não tinha a certeza, sequer, de conseguir atingir o limiar necessário
para entrar no Bundestag.
O destino do movimento parecia incerto quando uma das suas caras mais proeminentes, Sahra
Wagenknecht, se desvinculou e criou o seu próprio partido há pouco mais de um
ano.
A Aliança Sahra Wagenknecht (BSW), de esquerda e
posicionamento nacionalista, teve um bom desempenho nas eleições europeias de
junho e nas estaduais de setembro. No entanto, a campanha nacional deste
partido não conseguiu ter o mesmo impacto.
Entretanto, as dúvidas entre os candidatos do partido A
Esquerda acerca das suas hipóteses eram tão intensas que três dos seus membros
fizeram campanha individual para entrar no parlamento.
No entanto, a estrela viral Heidi Reichinnek destacou que o
recente aumento da popularidade lhe deu uma confiança renovada.
"Não preciso de acreditar em milagres, eu
vivencio-os", afirmou, em declarações ao jornal Rheinische Post.
A Esquerda apresentou dois candidatos a chanceler,
Reichinnek e Jan van Akken. O partido apresentou a tributação dos ricos e a
garantia de habitação a preços acessíveis como dois tópicos fundamentais da sua
campanha.
O movimento pretende, assim, centrar-se nos "problemas
quotidianos das pessoas", com Heidi Reichinnek a detalhar: "Por
exemplo, nós, na esquerda, programámos uma calculadora de rendas excessivas e
uma calculadora de custos de aquecimento."
Fonte: Euronews, 18 de fevereiro de 2025



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