Alemanha e Países Baixos rejeitam aumentar a dívida da UE para gastar na defesa
Perry Mason
(1957-1966) - Susan Dorn, Mary LaRoche
Os ministros das Finanças da Alemanha e dos Países Baixos
rejeitaram hoje o aumento da dívida da União Europeia (UE) para reforçar os
gastos com a defesa, uma opção que países como
Espanha e Bélgica apoiam.
Os ministros alemão e holandês mostraram assim relutância
face ao plano da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, de
permitir maior margem orçamental para investimentos nesta área com a ativação
da cláusula de salvaguarda incluída nos regulamentos para casos excecionais.
“Estamos céticos de que a
cláusula de salvaguarda seja uma regra viável, porque exige um grande
abrandamento económico que não contemplámos”, disse o ministro das Finanças alemão,
Jorg Kukies, que acredita que o bloco deve “estar consciente de que qualquer
mudança tem de respeitar o princípio da estabilidade orçamental”.
Foi assim que o ministro reagiu, na sexta-feira passada, à
proposta de Von der Leyen de congelar as regras orçamentais da UE para
investimentos na defesa, tal como já fez em 2020 para facilitar medidas de
combate à propagação da pandemia de Covid-19.
“Nos próximos dias e semanas explicaremos os detalhes”,
disse o comissário europeu para a Economia, Valdis Dombrovskis, que reconheceu
que uma maior flexibilidade em questões de defesa nos orçamentos dos
Estados-membros, “irá sem dúvida alterar a situação orçamental europeia, embora
ainda não se saiba até que ponto”.
Fontes diplomáticas indicaram à Europa Press que, por
enquanto, o plano de Von der Leyen é “apenas uma linha num discurso”, mas que
“em última análise, dívida é dívida”.
“Ainda não vi nenhuma proposta sobre a mesa, por isso não
posso reagir”, acrescentou hoje o ministro das Finanças holandês, Eelco Heinen, que admitiu que
“todos os Estados-membros procuram espaço orçamental”, embora tenha alertado
que para encontrá-lo “devem ser tomadas decisões
difíceis em questões orçamentais”.
"Não é fácil, admito, mas tem de ser feito porque o dinheiro não é
de graça. Se o gastamos num ponto, não o podemos gastar
noutro", acrescentou o holandês, que também rejeitou a ideia de que
"mais empréstimos comuns ou mais dívida são o caminho a seguir para a
Europa".
Da mesma forma, mostrou preocupação com o pagamento da
dívida que a UE já contraiu com a criação do fundo anticrise para enfrentar a
pandemia e que, segundo a própria Von der Leyen, exigirá entre 25 000 e 30 000
milhões de euros por ano durante os próximos sete anos do orçamento da UE.
Por outro lado, os ministros das Finanças de Espanha e da
Bélgica são favoráveis ao aumento do endividamento da UE para aumentar a
despesa em defesa, tendo em conta o panorama geopolítico atual.
Fonte: Lusa, 17 de fevereiro de 2025

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