Afeganistão diz que EUA suspendeu recompensas pela captura de líderes talibã
The Night
Manager – Elizabeth Debicki
Haqqani, que reconheceu ter planeado um ataque em janeiro de
2008 contra o Hotel Serena, em Cabul, que matou seis pessoas, incluindo o
cidadão norte-americano Thor David Hesla, já não aparece no portal do
Departamento de Estado norte-americano.
O porta-voz do ministério do Interior, Abdul Mateen Qani,
disse que o governo dos Estados Unidos revogou
as recompensas que prometia pagar pela captura de Sirajuddin Haqqani, assim
como de Abdul Aziz Haqqani e Yahya Haqqani, ambos familiares do ministro.
A rede Haqqani tornou-se um dos braços mais mortíferos dos
talibãs após a invasão do Afeganistão, liderada pelos EUA, em 2001.
O grupo colocou bombas em estradas, organizou atentados
suicidas e outros ataques, incluindo contra as embaixadas da Índia e dos EUA e
a presidência afegã.
A rede está também ligada a extorsão, sequestro e outras
atividades criminosas.
O
anúncio surge três dias depois do chefe da diplomacia dos talibãs afegãos, o
ministro Amir Khan Muttaqi, ter recebido em Cabul uma delegação norte-americana
chefiada pelo enviado dos Estados Unidos para os prisioneiros, Adam
Boehler.
As duas partes discutiram "as relações bilaterais, a
libertação de prisioneiros e os serviços consulares para os afegãos nos Estados
Unidos", disse o gabinete, num comunicado.
Na reunião com Muttaqi, Boehler estava acompanhado pelo
antigo enviado para o Afeganistão, Zalmay Khalilzad, segundo o ministério dos
Negócios Estrangeiros afegão.
Tratou-se da primeira visita de representantes da
administração de Donald Trump à capital afegã desde a tomada de posse do presidente
em janeiro, disse o porta-voz adjunto do ministério, Hafiz Zia Ahmad.
O Afeganistão e os Estados Unidos "devem sair dos
efeitos da guerra de 20 anos e ter relações políticas e económicas", disse
Muttaqi.
O ministro dos Negócios Estrangeiros talibã apelou ao
"diálogo para resolver os problemas".
Pouco depois do encontro, o Departamento de Estado dos EUA
anunciou a libertação de George Glezmann, um norte-americano que tinha sido
feito refém há mais de dois anos pelos talibãs no Afeganistão, após um acordo
mediado por negociadores do Qatar.
Em janeiro, os norte-americanos Ryan Corbett e William
McKenty, detidos no Afeganistão, foram libertados em troca de um combatente
afegão, Khan Mohammed, condenado por narcoterrorismo nos Estados Unidos.
Nenhum país reconheceu oficialmente o novo governo afegão,
mas vários países, incluindo Paquistão, Rússia, China, Turquia, Emirados Árabes
Unidos e Irão, mantiveram as embaixadas abertas em Cabul após o regresso dos
talibãs ao poder.
Fonte: RTP, 23 de março de 2025

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