Após três dias de apagão Cuba gera apenas um terço da procura média diária de energia
Perry Mason (1957-1966)
Cuba
está a gerar cerca de um terço da procura média diária de eletricidade da
última semana ao terceiro dia após o colapso total do sistema elétrico do país
na passada sexta-feira, segundo dados oficiais divulgados hoje
De acordo com o diretor-geral de eletricidade do ministério
de Energia e Minas (Minem), Lázaro Guerra, citado pela imprensa oficial cubana,
o país está a gerar 935 megawatts (MW), menos de um terço dos 3171 MW de
consumo médio diário na semana anterior ao apagão nacional de sexta-feira.
Guerra garantiu que até à manhã de hoje a elétrica estatal
União Elétrica (UNE) conseguiu conexão à rede desde Havana até à ponta mais
oriental da ilha, Guantánamo, o que não significa que se gere energia em toda
esta linha.
No caso da província da capital 81% dos consumidores
continuam sem fornecimento elétrico.
Nos últimos três apagões nacionais, registados em outubro,
novembro e dezembro de 2024, a UNE começou por reativar microssistemas,
alimentados por grandes geradores de fuelóleo e diesel, para depois
interligá-los e levar eletricidade às grandes centrais e poder ligá-las e
sincronizá-las com o Sistema Eletroenergético Nacional (SEN).
Até ao momento, de acordo com o Minem e a UNE, conseguiu-se
restabelecer a corrente em zonas muito pontuais e quase todas as províncias do
país, principalmente junto do que as autoridades classificam como “centros
vitais”, como os hospitais.
O complexo processo de avanço incerto – e por vezes com
retrocessos – prolongou-se por vários dias nos três apagões anteriores.
A desconexão do SEM aconteceu pelas 20:15, hora local (00:15
em Lisboa) de sexta-feira (madrugada de sábado, em Lisboa), e tem por base uma
avaria da subestação de Diezmero, nos arredores de Havana.
Isto provocou a falha em cadeia de várias unidades de
produção elétrica com uma “perda importante de geração [de eletricidade] no
ocidente de Cuba” e, posteriormente, o “colapso total” do sistema, segundo
explicou o Minem.
Os frequentes apagões
prejudicam a economia cubana, que se contraiu em 1,9% em 2023 e não cresceu em
2024, segundo estimativas do próprio Governo.
Tendo por base estes números, o PIB da ilha das Caraíbas
continua abaixo dos níveis de 2019 e não os deve superar em 2025, com o
executivo a estimar um crescimento de apenas 1% este ano.
A complexa situação energética que aquele país das Caraíbas
sofre há anos agravou-se nos últimos meses.
A crise deve-se sobretudo às
repetidas avarias em centrais termoelétricas obsoletas, em funcionamento há
décadas e com uma carência crónica de investimentos, e à falta de combustível
devido à falta de divisas do Estado cubano para o importar.
Segundo várias estimativas independentes, o Governo cubano
necessitaria entre oito mil milhões e dez mil milhões de dólares
(entre 7,6 mil milhões e 9,5 mil milhões de euros) para reativar o sistema
elétrico do país, um investimento fora do seu alcance, além de que qualquer
solução só seria possível a longo prazo.
Cuba vive uma profunda crise económica com escassez de produtos básicos (alimentos, medicamentos, combustíveis), cortes
prolongados de energia e inflação. Hoje, 80% do que é consumido é importado.
Em resultado, o país de 9,7 milhões de habitantes tem
registado grandes fluxos de emigração. Em 2023,
estima-se que pelo menos 300 mil cubanos saíram do país.
As autoridades iniciaram um programa para instalar parques fotovoltaicos e prometeram que 55 parques de fabrico chinês
estarão prontos este ano, produzindo 1200 megawatts, ou 12% do consumo total.
Os apagões provocaram manifestações antigovernamentais em
2021, 2022 e 2024.
Fonte: Lusa, 16 de março de 2025

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